“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

21
Mai 10

 

Ontem, as minhas costelas separaram-se um bocadinho e pude respirar.

Cinco horas da manhã, abriram-se-me os olhos como duas gárgulas inverosímeis.

Lá fora estava tudo morto, pelo menos assim imaginava.

Tive dificuldade em estar deitada porque gotejava na garganta.

Já me havia esquecido destas coisas.

Sentei-me no chão e encostei a cabeça à espera que parasse, tudo o que estava morto rodopiava e eu?

Eu estava atada de tão altas mãos.

Era tão vermelho…

Olhava o espelho dos outros e via a cor deixar-me as faces, estava na minha boca e eu estava impregnada no meu gosto.

Voltei a depositar-me, à espera que se acalmasse.

Desfalecer ali não seria uma boa ideia, o chão era duro, o meu crânio é de algodão.

Não gosto de mortes involuntárias.

Voltei para o quarto e adormeci de medo.

Medo de me sufocar de escarlate quente.

Sinto que existe um mundo dentro de mim cheio de coisas e caminhos entrecruzados.

Qualquer dia abro-lhe uma brecha e entro para ver.

 

publicado por Ligeia Noire às 14:37
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