“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

10
Nov 11


Quero ir para casa, quero mesmo muito ir para casa.

O bem que me faz estar, simplesmente, sentada à lareira com a gata ao colo e os gatos a subirem pelas pernas da mesa.

Não ter espaço para me chorar, para poder agasalhar-me, é, simplesmente, desumano.

Já não me reconheço, começo a achar que comporto toda a gente porque na realidade não gosto de ninguém.

Quero abrir os ouriços verdes com os meus sapatos velhos e guardar as castanhas nos bolsos da minha mãe.

Quero estar nas caleiras, a aquecer o sangue ao sol da manhã e ver surgir o corpo velho do meu cão preto.

Quero ir para casa pai, quero ir para a minha casa velha de pedra, comer santieiros.

Hoje não há pele, carne, ou costelas que me protejam o coração.

Abro a camisa branca ao espelho e coloco-o na pedra de mármore, na pedra gelada.

Pobre coisa mirrada… anda vê-lo Supremo, desce e chora-o comigo.

Não tenho nada que seja teu comigo, sabes que gostaria de ter aquele rosário de prata fechado na mão para poder voltar a sonhar contigo.

Sinto que já não estás aqui, que foste embora e tenho medo, tenho saudades de subir para o teu colo branco.

À noite, quando chove e o vento sibila, é como se o rosário se materializasse e eu te sentisse à janela, pedindo permissão como os vampiros antigos.

Ser esta versão de mim arruína-me

Quando é que me levas contigo?  

publicado por Ligeia Noire às 22:06

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