“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

16
Nov 11


Por isso preparai-vos majestade.

Quero sugar-vos o sangue pelos dedos.

Quero abranger o vosso pescoço cálido nas mãos.

Cravar as unhas de leite nos vossos cabelos.

Quero tudo e não ter de voltar à vossa companhia, jamais!

Quero beber-vos a integridade e possuir o amor que tendes por mim.

Perdoai-me alteza, mas se não me é permitido encontrar quem me saiba navegar os olhos, navegarei aqueles que de mim esperarem predilecção, até o barco rasgar o casco no fundo do mar. 

Cerrai os vossos lábios, não vos quero ouvir, já vos sei de cor.

Indolente e detestável, é verdade sou toda assim majestade mas escutai, não quero palavras, nem ternuras, dai-me receptáculos e deleite. 

 

Tempted white eyes
Blinded by the night
Hollow like the towers 
On the inside
Laura's a machine, she's burning insane
Laura's a machine

For a menace in disguise behold this night
Four walls are furnished now she's alive

No one ever helped poor Laura
No one ever helped poor Laura
She's rabid in ecstasy
She's rabid in ecstasy
She's rabid in ecstasy
She's rabid in ecstasy

She's on the line to cut it all
She's on the line to drop and fall
She's on the line to cut or fall
She's on the line
Line to fall

People laughing, an awful sight
Please leave Laura
'Tis her night
Laura can you see?
Laura can you say?
Laura can you see?
From the light of the Catherine wheel 
She spins from above
Haunted by these times
My European love

No one ever helped poor Laura
No one ever helped poor Laura
She's rabid in ecstasy
She's rabid in ecstasy
She's rabid in ecstasy
She's rabid in ecstasy

She's on the line to cut it all
She's on the line to drop and fall
She's on the line to cut or fall
She's on the line
Line to fall

 

Laura da autoria dos Fields of the Nephilim/Laura by Fields of the Nephilim

publicado por Ligeia Noire às 19:41

 


Hoje, percebi que nunca vou ter quem me saiba navegar os olhos.


Os quem fora do amor de sangue me tocaram o coração, durante anos, são agora momentos no tempo,


percorremos caminhos distintos, o caminho que eles escolheram já não os deixa verem-me.


As coisas que me atingem são agora coisas difusas para os seus sentidos.


Gostei das pessoas que eles eram.


Todos os outros não passaram de desapontamentos.


Alguns, em dias, já me não diziam nada, os outros, os outros, confesso ter querido com muita força que me fossem alguma coisa, que fizessem sentido mas não foram precisos muitos meses para lhes ver a distância nos olhos.


Não gosto deles.


É assim.


E chego agora, aqui, a este planalto e sinto o vento nas pernas e a mão esquerda a doer-me e dormente, não sei.


Sinto a mesma vontade de chorar e tenho medo que as costelas se adelgacem e não me deixem respirar.


Não choro, tenho medo.


E vejo tudo e tudo me faz querer chorar, como se presenciasse o mundo acorcovado e cheio de buracos,


num coração muito grande, o qual não me cabe nas mãos, a caminhar e a caminhar e quanto mais o mundo caminha, mais lanhos e feridas lhe nascem na casca.


Vejo tudo isto moribundo, negro, aleijado, esfomeado, rasgado, com fome e sem pai, ou mãe que lhes possa


agarrar a mão e ajudar a atravessar o rio das almas que é feito de breu.


É tudo tão fundo, tão negro, tão escarpado e precipitado e sinto náuseas e vertigens e medo, muito medo.


Sei.


Sei Supremo, ah sei...


Chego aqui, onde a queda impera, e vejo-me isolada.


Tantas vezes disse todas estas palavras, tantas vezes disse todas estas palavras em ordens diferentes, com intensidades diferentes, em caixinhas diferentes mas todo este amontoado de coisas que urgia ser cuspido, nada mais foi, é, e será, sempre, espelhos e mais espelhos do que jamais conseguirei atravessar.


Estou cansada, estou cansada lê, tu.


Lê.


Cansada de que falem e eu não sinta nada.


Cansada de querer não ser e, principalmente, não sentir.

publicado por Ligeia Noire às 00:42
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