“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

06
Fev 12


Eu que ia ver o Twin Peaks, eu que... enfim, dei por mim a pensar nisto.

Há alguns anos apaixonei-me por Evanescence e, depois, descobri que eles não eram tão originais e talentosos quanto pensava, desiludi-me e mais tarde tive vergonha de gostar deles.

Às vezes, as coisas valem pelo que nos fazem sentir e não por aquilo que realmente são.

Não tinha internet, ouvia rádio e, um dia, vi o videoclip da Bring me to Life na televisão pública e fiquei fascinada.

Ela era tão bonita, a pele tão branca os cabelos tão densos e compridos e criava música com o melhor amigo desde miúda, a amizade sempre me fez parar, não é?

A típica dupla de adolescentes menosprezados do liceu que não cabia na caixinha e que vive o conto de fadas uns anos depois.

Sabia e, ainda devo saber, as letras dos primeiros álbuns de cor.

Não havia grande coisa a que uma rapariga da aldeia se pudesse agarrar, não tinha amigos que gostassem das mesmas coisas, não andava na escola e aquilo conduziu-me a um mundo de almofadas em que me adorava recostar.

Os anos foram passando e como em todas as paixões, há sempre uma parte que trai a outra.

O amigo da menina de cabelos negros foi embora e, seguiram-se-lhe os seus comparsas, reparei que a voz dela ao vivo não era grande coisa e que não passavam do tal produto polido, bem masterizado e oleado por uma multinacional, que subiu dez caleiras de uma só vez e ficou lá em cima, recostadinho.

Mas, como a senhora de negro um dia disse: não importa de onde vens mas para onde vais.

Desde então ganhei asco a bandas com vocalista feminina e descobri que há senhoras que elevam a fasquia até ao paraíso, que há senhores de negro que fazem música negra para valer, sem maquinarias industriais a limarem-lhes as arestas até ao tutano, apenas porque é assim que o coração lhes canta, à janela em noite de lua cheia.

Senhores, que mesmo vestidos de amarelo continuam vestidos de negro e te levam ao inferno.

Descobri que as almofadas se haviam multiplicado e tornado mais escuras.

Os Evanescence não eram, nem são nada de transcendental mas abriram tantas portas, para mim e para todas as bandas que jogavam no mesmo relvado.

É certo que, levaram a um público habituado a comida de consumo rápido, a vontade de espreitar para coisas mais negras mas as modas, não passam disso, de modas.

A vergonha deu lugar a indiferença e deixei-os numa gaveta, perdi-lhes o rasto.

No entanto, aprendi uma grande lição, quando as pessoas falam entre si empoleiradas em caleiras consoante a imagem que o espelho lhes devolve, podemos envolvê-las em renda bem bonita e sorrir, enquanto lhes virámos as costas porque por mais que se envolvam nela, o coração há-de sempre cheirar a podre.

Voltando ao assunto, o novo álbum (que por acaso ouvi) a bem dizer é uma bela merda.

Todavia, continuo a gostar de muitas das músicas que fizeram, continuo a gostar do conceito e da estória da menina triste e do menino que compunha para ela... e que belo nome para uma banda, hã?

 

I still remember the world

From the eyes of a child
Slowly those feelings
Were clouded by what I know now

 

Excerto do tema Fields of Innocence dos Evanescence/Excerpt from Evanescence's song Fields of Innocence

publicado por Ligeia Noire às 02:16
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