Desde que, há uns anos, cheguei ao episódio catorze da segunda temporada do Twin Peaks e aquilo empacou e não encontrei um que não empancasse, desisti de ver. Quando finalmente consegui um episódio incólume, já me tinha esquecido do que tinha visto antes e já estava fora daquela ambiência. O que significa que o Fire Walk With Me vai ter de esperar.
Entretanto, voltei à trilogia japonesa do Guilty of Romance, um filme de três horas que ainda está à espera de ser acabado. Uma verdadeira subversão da moralidade religiosa e social. Depois, ando a ver um filme do senhor Chabrol, ando... ando porque é mais um que deixei a meio por falta de concentração.
Como descobri este gajo? Porque gostei, assaz muito, de uma entrevista que li num jornal português qualquer. Tanto gostei da atitude e maturidade dele que fui procurar por um filme para me iniciar mas não sei se o filme não me estará a dar um secão do caralho, e calma aí que sou grande admiradora do cinema francês mas, se calhar, é uma lição... lá porque ele é interessante não quer dizer que faça coisas que te agradem.
Ideias e feitos são coisas diferentes.
É como o Dani Filth, A Cristina Sccabia ou o gajo dos Watain, eloquentes, sarcásticos, cultos e inteligentes, que dá gosto ouvir mas que fazem música que não me agrada.
E lá deveria eu estar calada....
Acabei por finalmente me concentrar e voltar ao tal filme do Chabrol: La Demoiselle D’honneur e que tola fui, é preciso ter paciência e saber alcançar cada detalhe e que filmaço! Que golpe de mestre hã? Tenho de procurar mais, mais dele e mais do Rollin.
O Rollin da pornografia e dos vampiros que dava outra página por aqui mas que não sei por onde começar, só sei que quero visitar o cemitério do La rose de fer, que me emociona a forma como enquadra as mulheres, enquadra-as como retratos e veste-as como sílfides.
Entretanto, ouço Draconian.
Magnífica discografia de um dos últimos redutos do metal de inspirações góticas ou do Doom, consoante o preconceito do ouvinte.
O meu encontro com estes Suecos fez-se através da Loud, aquando da critica ao Turning Seasons Within, fiquei entusiasmada para o ouvir porque gosto de metal pesado, arrastado, viúvo, elegante de rendas funéreas e sentimentos funestos mas ou me aparecem bandas de letras insípidas e vozes sem chavo de personalidade ou então mais do mesmo. Lembro-me de não ter ficado com travo amargo depois de o ouvir mas também nunca mais lhe peguei.
Sucede que, no último ano, andei com ele sempre no leitor de discos e decidi-me a desbravar o resto da discografia. Entretanto a Lisa Johansson cansou-se de palcos e tournées e quis ter uma vida mais regular, acho que a nova vocalista é sul africana e se chama Heike e é mais ligada a estas coisas do som pesado e do oculto. O que não quer dizer que seja oiro sobre azul. Às vezes, as melhores combinações são as mais inusitadas, veja-se o caso da Lírica Tarja e dos Metaleiros Nightwish. Abrindo aqui uma nota para dizer que, como qualquer apreciador do género, estou ansiosa por este Endless Forms Most Beautiful, inspirado, não pelas melancolias da alma marina do Tuomas, mas por Carl Sagan, Whitman e o Dawkins.
Apesar de nunca ter apreciado muito a Floor Jansen, concordo que foi a melhor escolha. Mas voltando aos Draconian, são mais uma daquelas gotas no oceano de que já não se sente o gosto nos dias de hoje, ou então estão bem escondidas nessas Atlântidas, à espera de um virar de esquina sortudo.
Post Scriptum: Cruzei-me por aí com um vestido de renda negra, rodado e de colarinho branco também rendado e pensei: ora aqui está um belo vestido de noiva, espero que me chegue às mãos depressa para o tocar, para, em cima, lhe demorar o olhar e para o guardar até chegar a hora.
Reparo agora que não sei ainda como me referir ao escolhido, não há nome que lhe sirva... que chatice, apenas para dizer que encontrou uma nova banda e que gosta muito e eu gosto muito também, gosto que ele esteja feliz.
Gostava de ser rica para o tirar daquele emprego desértico de inspiração mas não sou... Continua nos caminhos do mago inglês e a praticar os rituais que o conselheiro lhe indica, para que suba a um lugar que eu não sei. Coisas misteriosas, este meu gato cor-de-laranja faz...
Ontem escreveu este poema e eu, hoje, escrevo-o aqui:
Whilst the black beast hangs
The dark stars moan.
And antimatter sheds its light
into the heart of darkness.
Why so glum, sir?
Eat the dense cake which sits
untouched
in your heart of hearts.
Grab the mass
Feel it throb through your heartbeat.
Who is moving? You, it, us?
The Earth spins unbidden
Uncaring but,
Unnecessary to us is
The heaviness it conceals and feels
What really matters is
that we stay stuck
in the gravity trough.
Like the pigs we all are,
striving to be angels,
As our base
struggles desparately to separate
From our head.
By/de C.S.