“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

08
Mar 10


Não tenho nada a que aspirar.

O peito transborda do que jamais encontrará receptáculo.

Só preciso de ficar sozinha e imaginar que adormeço sem precedentes.

A minha vida…

O que foi a minha vida?

Qual foi o propósito pelo qual me puseste cá?

Desiludi-te?

Queimei o caminho?

Não tenho ambição.

Não quero ser.

Nunca me falaste da morte em vida.

Nunca me disseste de onde veio toda esta tristeza.

Nunca me mostraste a cara.

Tu que estás, tu que és.

Tu que te desfazes em todos nós, não me deixas ir embora.

Colocas a navalha nas costas para que não possa deitar-me.

Dás-me dores que não consigo carregar.

Mas eu lembro-me bem de ter sonhado contigo.

Não sei se eras como nós, mas sei que tinhas mão e colo… e lembro-me do altar frio onde se achava a minha cabeça na qual a tua mão se depositou.

Não me lembro, ou talvez não me deixes lembrar, se falavas as minhas palavras mas sei que te entendi.

Sei que nesse sonho consegui ir-me.

E, uma vez ida, a tristeza cresceu e cresceu como se eu fosse feita de partidas.

Não me lembro de ter sentido leveza, ou liberdade.

Lembro-me de teres vindo da tua casa, que não é igual às casas, e me teres dito coisas sem palavras mas que o meu íntimo percebeu.

Lembro de me teres concedido o retorno.

Por que fizeste isso?

Esperavas que eu soubesse ser-me?

As palavras são rudimentares, parcas... e eu não me sei dizer o que tu me disseste.

Sei de ter acordado completamente avassalada com a tua presença.

É estranho ter o Supremo tão perto.

Podias ter deixado que eu me enrolasse no teu colo, só um bocadinho, somente um instante para saber o que é ser una.

publicado por Ligeia Noire às 23:07

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