“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

04
Jan 11


Há-de passar, colmata com ódio.

Violência e muita raiva.

Escancara o crânio e procura por entre a porcaria.

Vês? Está sempre ali à mão... que imberbe.

Asco.

Crava-lhe as unhas, prova-lhe o fel e guarnece os lábios ressequidos.

Cospe-lhe as entranhas num esgar de agonia.

Rasga-lhe as costas e cobre-o de purpurina.

Desata-lhe as articulações e brota-o de muito alto.

Estragada, desumana e de coração cristalizado, perdido entre costelas adelgaçadas e de esterno inexistente.

Sinto-lhe a saliva toda nas mãos e os dentes vivos tentam abrasar-me os dedos mas a minha carne apodrece-lhe o gosto.

Achas que fui longe?

Parece-me, deveras, que o longe se esbateu.

Eu quero mais um bocadinho de ti, quero a pele desbastada de carne.

Alinha-te, eu coso e remato a gosto.

Eu espero, eu espero aqui, não saio de onde estou, espero que voltes do limbo onde te escondes da minha compleição de bicho.

Abro-te os olhos à força apenas para que eles me olhem muito e bem dentro, depois… depois… adormecê-los-ei.

publicado por Ligeia Noire às 23:55
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