“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

06
Jan 11

 

Não consigo, há dias que estou a tentar mas não consigo.

Maldigo o dia em que voltaste porque, ao vislumbrar-te regressado, já te sabia na partida.

Demoro o tempo de inventar palavras para escrever isto porque precisava abrir um pouco o peito para respirar e está a revelar-se impossível.

Já só consigo fechar os olhos, a minha fome é a de adormecer porque o tempo está a passar, o tempo passa.

Não jaz em ti o pecado, sou eu, só eu.

Desculpas-me?

Não me faço sentido.

Não consigo, há muito, há tanto, há demasiado, dói, detesto.

E sei que enquanto não conseguir esconjurar-te, jamais irás embora.

E a minha fome de mim é tão grande que ainda acresceste aos coágulos.

Só quero que vás, para sempre, para sempre como:

Era uma vez, uma vez, uma e apenas uma, um momento, um tempo, dois fragmentados, e acabou. 

Preciso purgar-me, preciso fazer-me sentido.

Vejo dois atalhos:

-Resignação do acto de esperar pela vida

-Arrasamento massivo e abandono total

E, ó supremo, tu sabes… Vês daí a alma engelhada, negra e porosa?

Encher todos os interstícios com veneno lento e eloquência possessiva, com evasão progressiva.

Euforia de cruz pregada, dores nos pulsos sem vontade de cessar.

Não posso esperar que me tragam as respostas, elas têm de brotar daqui.

De dentro.

E como me custa subir e agarrar-me ao incerto, prevejo-me a renegar.

E tu, pelo qual iniciei este devaneio, tu foste o bode expiatório para a minha conclusão.

Não me dóis realmente, na verdade tu não existes.


Yes, I am alone, but then again I always was

As far back as I can tell, I think maybe it's because...

Because you were never really real to begin with
I just made you up to hurt myself


Foste a minha musa de descoberta do atalho para o desterro.

E só o foste porque eu gosto de ti, muito, e só quero que vás sem regressar jamais porque te sinto demasiado e porque as saudades cortam bocadinhos cada vez maiores.

E gosto de ti porque tu não existes e quero que assim prossiga.

Resta-me esperar pelo dia em que me aflorará toda a imprevidência e toda a coragem para destilar nas veias, a resposta para o desanuviamento.

Já nada me falta, tudo me recomenda.

Vislumbro em sonhos a gota grossa e felpuda a resvalar no copo.

E vai inundar o mundo de dentro e o de fora e eu terei a cabeça vazia e as mãos livres.

publicado por Ligeia Noire às 22:27

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


mais sobre mim
Janeiro 2011
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
14

17
21
22

23
26
28
29

30


Fotos
pesquisar
 
arquivos
subscrever feeds