“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

02
Fev 11


Quero sangue!

Quero sangue coagulado.

Líquido.

Sofrido.

Quero-te em sangue, podre e miserável

Vais ser tu e eu, tu e eu.

São raios de lava que vês nos meus olhos.

São venenos brancos que se vertem como saliva pela boca ressequida.

É a fome de um mundo inteiro.

Ah o ódio... é desfeito e fatiado nos teus braços.

Já mencionei o quanto te amo?

Não consigo controlar-me e os dentes abrasam-me a língua.

Deixa os pés juntos e desbravados para que te possas dobrar sem partir a campânula.

Vinagre e adagas no teu dorso.

Vestir-te de urtigas e ungir-te o peito com carvão.

Já te mencionei o meu amor?

Lodo.

Já te dispus no circo, dança e não abras a boca, ninho de sardões.

Tu ali disposto, indefeso, tu, pequenino rebento da incansável e comedida insanidade.

Regam-te todas as drogas do mundo, nunca sabes, tu nunca sabes.

Contempla como os teus olhos se revolvem e esgazeiam com os abutres que te acham deleitoso.

E elas?

Que terão elas a dizer?

Como cabem todas elas nas tuas mãos?

Elas, donzelas, putas, meninas e de desejos e prazeres rendadas.

Abrem cortinas e corpos e enchem-se de mirra, salva e enxofre.

A Babilónia é o teu regaço.

Às vezes mata-me a dor e serve-me a anestesia num vassalo dourado.

E acusas-me de demência e outros predicados bem indecorosos.

Como elas te olham e salivam e eu olho e cuspo.

Então, não é assim tão penoso, é? Meu amor?

Espancada e esmiuçada, esgrimi uma longa batalha com o pó e a terra seca mas estes não se demoveram. Quebraram-me a traqueia e derrubaram-me os pulmões.

Decresceu a quantidade de pele e os ossos das mãos ficaram-me mais notórios.

Achas que tenho medo?

Esmigalhada, só quero sangue quente e jorrado e estendido como azeitonas negras e lustrosas neste chão que piso.

Quero encher vários vasilhames e embebedar-me toda, toda, para assistir no meio de ratos à queda do império.

         

(...)You fucking touch me I will rip you apart
I'll reach in and take a bite out of that
Shit you call a heart...

  

*Excerpt of My Plague by Slipknot/ Excerto do tema My Plague dos Slipknot


publicado por Ligeia Noire às 23:57

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