“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

07
Abr 11


Instintivamente, acho que acabei por fazer aquilo que outrora me aconselharam, aprender com os gatos e não confiar em ninguém.

Todavia, ainda não fui buscar as palavras para lapidar esse assunto.

Enquanto a cabeça rodopia e rodopia em valsas continuadas, lembro-me que não tenho tido comportamentos de ser humano, há muito tempo.

Hoje está calor, a noite está quente, fui passear-me e raptar umas flores mas o tempo continua enferrujado.

 

Pessoa A


Eu também quero estar contigo, quero ver o que vai suceder, quero saber se fazes parte do sangue, quero saber se sinto tudo ou se o tempo e a lonjura foram ceifeiros das nossas vontades.

 

Pessoa B


Cada vez que vejo algum bocado do meu Frankenstein, lembro-me que ainda pertences. E, enquanto escrevo, vens para ao pé de mim e é bom.

És tão diferente de todos, acho que jamais deixarei de gostar de ti.

Simples.


Frankenstein


Fundamentalmente, és uma aberração e não me parece que o Supremo te deixe existir aqui... mas hoje vi-te umas brechas.

Como se o teu mundo andasse no meio do meu, atravessaste a rua e tive de continuar para a masmorra.

 

Trasladação


As minhas mãos hoje cheiravam a aguardente, já os olhos andaram o dia todo desmaiados.

Na noite pairava açúcar, estou enjoada, nauseada, cansada e maltratada.

Sinto falta daquele quarto com duas camas, uma mesa-de-cabeceira, um guarda-vestidos e uma varanda.

Sinto falta da sua neblina de haxixe e uns tantos pós cândidos e éteres maléficos.

Sinto falta das garrafas que pesavam na mesa, sinto falta de transviar pessoas, sinto falta de ti, rapariga-que-tem-nome.

De todos foste a mais bela, a totalidade, o fogo e o gelo, a loucura, a trindade.

Para ti, lembras-te?

 

O mar em Fevereiro


Éramos ainda o que somos.

E tenho saudades de saber ser o que fui.

Eles, que nos acompanhavam, não nos sabiam.

Talvez esperassem comer-nos a carne mas temo que ela fosse demasiado extra-sensorial para os seus dentes e língua de leites mornos e de pacote.

Éramos leite ainda no úbere.

Éramos rosas selvagens e suicidas de tão vermelhas.

E levaram-nos para o mar.

Fazia frio, a noite estava de veludo e o céu, vestido das suas mais formosas estrelas, ondeava.

Tirei o casaco negro, as botas e olhei calada, tu olhaste calada.

"Vamos?" e sorriste como só tu sabes.

Os teus sorrisos dos olhos e da boca são só teus.

Acharam-nos dementes mas que diferença fazia, não nos achavam já?

Estavas tão liberta e tão perigosa.

O mar provou-nos o corpo inteiro até ao êxtase.

Tu rias e ias mais longe, lembras-te do rapaz engraçado?

Ele acabou por se juntar à celebração.

A minha camisa branca, a camisa do Crisma, a mesma que me cobria o peito quieto.

Tinha o cabelo inundado, as calças ensopadas e a camisa virginal tinha sido assolada pela água gelada.

O corpo sabia a sal e a lua terna.

Lembras-te do outro rapaz?

Aquele para quem deveria exibir o meu olhar e a minha compleição de enamorada?

Estava sentado na areia de olhos incompreensivos.

O mar jamais lhe provaria a pele mesmo que ele se tivesse afogado nele.

Podias ensinar-lhe o perigo, o gosto, a liberdade de não ter corpo, de não ser deste mundo, talvez assim eu o quisesse.

E riste, tu riste quando me viste a sair da água em direcção ao rapaz irritado que se plantava como junco nas conchas.

Tu rias porque me sabias e eu dizia-te "sim" sem falar.

Há poucas coisas que me assustam e há poucas coisas, aliás, muito poucas, que me amansam e depois, depois há ainda menos coisas que me dão gozo, que me enleiam o espírito.

Gosto de brincar.

Tenho-me medo, aos outros não, os outros são extra-compreensão à qual não me entrego.

Como a loucura não chega para todos, o rapaz (que sempre me fez lembrar aqueles cavaleiros que necessitam de resgatar Rapunzeis mas que na sua senda existencial, se esquecem de que a gaja não quer ser salva porque a salvação é como ver as soluções no final do livro) olhava-me zangado.

Estaquei-me à sua frente, a camisa pingava-lhe pequenas gotas salgadas nos pés calçados e os olhos pousavam-me no corpo, que se transparecia.

Deixei o meu peso pesar-lhe no colo e fechei-lhe as mãos nas minhas.

Não se lhe ouviam palavras, beijei-lhe a boca.

Ele era fome e intenção, deu-me a mão e pediu que o acompanhasse na sua contemplação amorosa mas corri para a prata e ele não quis tirar as botas.

Quando olhei para trás, já estava longe, nas rochas. 

 

I'm Looking Forward To Joining You, Finally

 

As black as the night can get

everything is safer now
there's always a way to forget
once you learn to find a way how


In the blur of serenity
where did everything get lost?
the flowers of naivet
é
buried in a layer of frost

The smell of sunshine
I remember sometimes

Thought he had it all, before they called his bluff
found out that his skin just wasn't thick enough
wanted to go back to how it was before
thought he lost everything
then he lost a whole lot more

A fool's devotion
swallowed up in empty space
the tears of regret
frozen to the side of his face

The smell of sunshine
I remember sometimes


I’ve done all I can do
could I please come with you?
Sweet smell of sunshine
I remember sometimes


Lyrics by Trent Reznor/Letra de Trent Reznor


Voltámos os três e fomos descalços em direcção a um rol de palavras azedas.

Percebi, naquele instante, de que não valia de nada fazer força, tentar... e ri, ri e ri contigo, filha da Estrela-da-manhã, e fomos livres e anestesiadas e salgadas como carne vermelha presa pelo ápice à vista de todos.

Subir ao teu cavalo rapaz, foi como beber água inquinada deliberadamente.

Quiseste a boneca e a caixa...


publicado por Ligeia Noire às 22:20
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