“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

30
Mai 11


Se bem que tu não tens caracóis mas os teus fios dourados podem ser os mesmos desta bela serenata de que tu tanto gostavas.

Não fiques triste, sabes que sou assim mas hoje é o teu dia, o dia de seres emulada neste espaço de devaneios lisos.

Rapariga de olho azul que tem medo de fantasmas, rapariga de cabelos vastos de trigo.

Rapariga que se assusta e se aborrece porque não sabe estar apaixonada.

Rapariga doce, rapariga que gosta de tunas, cigarros, martíni e azeitonas gordas.

Rapariga que um dia leu o meu caderno de capa preta.

Rapariga, rapariga, tantas estórias, tantas desavenças, tantos abraços, tantas cervejas e vinho do Porto no bar do senhor de barbas e cabelos longos.

Foi nesse sítio jazzistico que apareceu o homem de tranças, o homem de cabelos loiros e mente dispersa.

Vocês riam dele mas na verdade era ele quem se ria de nós.

Lembro-me, com saudade, de vos ver na sacada preparadas para o abalroar com os vasos da vizinha, só porque ele queria fazer-nos sopa à meia-noite.

Há melhor hora para sopa?

Lembro-me do chão de pedra atrás da capela, onde eu e a rapariga-que-tem-nome desafiamos a noite e tu, assustada, dizias ouvir barulhos e vozes.

Claro que eram pessoas, desviados da sociedade que fumavam haxixe e riam alto no apeadeiro.

Não eram mais que pessoas.

Lembras-te de como a noite estava bela?

Cheia de estrelas brancas... claro que não lembras, estavas assustada e querias voltar para o ninho.

A rapariga-que-tem-nome ficou zangada e disse muitas palavras pelo caminho.

Eu, confesso que estava extasiada e também gostava de ir mais longe, mas ficou para outro dia, dia esse que jamais se repetiu.

A capela que não tem boca ou poderia contar muitas estórias, continua lá, o apeadeiro está agora vazio, a rapariga-que-tem-nome está muito longe e tu... vendes sonhos.

Também tenho saudades e, depois de anos volvidos, acontece sempre o mesmo, o passado amacia-se e mistifica-se.

Agora temos todas, sendas diferentes, caminhos compridos e desiguais, talvez um dia a inocência volte.

Todos sabem que esta é a tua.

 

Um dia a areia branca teus pés irá tocar

E vais molhar teus cabelos na água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir só para te ver chegar

E ao te sentires em casa sorrindo vais chorar

 

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos

Uma história p’ra contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos um soluço e a vontade

De ficar mais um instante


As luzes e o colorido do que tu vês agora

Nas ruas por onde andas

Na casa onde moras

Tu olhas para tudo e nada te faz ficar contente

E pensas a toda a hora voltar p’ra tua gente

 

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos

Uma história para contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos um soluço e a vontade

De ficar mais um instante 

 

Tu andas só pela tarde e o teu olhar tristonho

Deixa sangrar do peito, uma saudade e um sonho

A areia do mar espera que chegues num sorriso

Pisando a areia branca que é teu paraíso


Debaixo dos caracóis dos teus cabelos

Uma história para contar de um mundo tão distante

Debaixo dos caracóis dos teus cabelos um soluço e a vontade

De ficar mais um instante…


Debaixo dos caracóis dos teus cabelos, versão da Tuna Universitária de Aveiro ao vivo no FITUA 2002. Tema original de Roberto Carlos e Erasmo Carlos.


publicado por Ligeia Noire às 13:32
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