“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

19
Out 11


Não deveria escrever quando estou assim.

Não deveria escrever quando o sangue ainda me enche os olhos.

Não deveria escrever quando o coração ainda bate esganado de medo.

Não te entendo Supremo, juro.

Abres a porta e não me deixas ver-te, mandas mais um enganado, mais um que me vai odiar, ferir-se, esperançar-se.

Está assim escrito no teu caderno?

Devemos calcar o mesmo caminho duas vezes, três vezes?

Pois, o de hoje foi dos mais difíceis de percorrer.

Pela primeira vez tive medo que...

Queria desatar a correr, queria ser diferente naquele instante, corresponder-lhe mas não consigo.

E tu mandas sempre a mesma encomenda.

Já estou tão calejada que, paro e fico a olhar para o laço, sabendo que não vale a pena desatá-lo, o problema é que o conteúdo se abre a si mesmo e exige que eu seja receptiva, enamorada e constante… e isso passa como água de ribeira brava pelos meus braços, vai-se, foi-se, não quero.

Não sei sentir isso, ele não me navega nos olhos e eu não cheguei a casa.

Mais uma vez.

E chego ao quarto insípido e hospitalar e pouso as chaves, encosto-me ao armário e abro as costelas para que os pulmões se alarguem e me deixem respirar.

Tenho medo e tenho lágrimas.

Não as choro, não consigo, são lágrimas de raiva, lágrimas de pena e de frustração por saber, de antemão, que me tinhas colocado no início do caminho outra vez e, mesmo assim, permiti-me a percorrê-lo.

Caminho esse que causa o sofrimento de outrem, sofrimento que eu causo por não saber ser.

Não sei ser.

Pedi-te tanto, tanto que achei ridículo o que pedira e deixei de pedir, essas coisas não se pedem e como não se pedem tu quiseste dar-me uma lição e vestiste-te de rainha, encarnando eu uma branca de neve tosca e envenenaste a maçã vermelha.

Só porque te pedi que me provasses que estava enganada e que tal epifania existia.

Tu voltaste a abrir-me brasas nos pés e, desta feita, trouxeste um cavaleiro das terras brancas que teria tudo para ser um bom pescador mas que, como os outros, não soube lançar as redes.

A falha foi minha, não saltei para o balde.

Já te havia mencionado que me doem os pontos, que me coseste mal, que se vêem as costelas cada vez mais adelgaçadas?

Estou cansada de deixar funerais, cansada de macular esperanças alheias.

Ouve-me, aí na tua terra, prefiro que extingas os cavaleiros, prefiro que os deixes aí contigo.

No final de contas, nem eles sabem que é a mim que custa mais.

Sempre quis ser a presa e não a raposa, sempre quis ser a cativada e não a cativante.

E agora, que dou forma a estas inquietudes, a flor-selvagem volta às minhas mãos... rio, pois claro.

Esse, que finalmente parecia tão perto e tão meu, esse filho-da-lua que sempre quis desenlaçar e, tomando o seu laço, prender o meu cabelo.

O que mais perto esteve de me ter cativa, foi-se mais uma vez.

Levou-se do mundo dos vivos para voltar ao dos que não têm sopro e saber-me, néscia, ainda aqui.

Tive receio da sua vontade e pensei ter-me desinteressado do seu perfume floral mas acontece-me o aconchego, a protecção e a pertença que esse cavaleiro do final dos tempos me instiga.

Não te rias Supremo, a única coisa boa de toda esta balbúrdia, é saber que afinal ele continua a ser o mais perto que estive de casa e, no entanto, está sempre tão distante e tão inalcançável.

Talvez por isso me sinta protegida e cativada.


publicado por Ligeia Noire às 02:06

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