“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

02
Nov 11


Em circunstâncias normais, isto seria impossível, ainda não te teria concedido existência para que Ele te pudesse mimosear os pulmões.

Serias assim... como que capaz de ler tudo isto de uma assentada.

No passado, não oferecia as minhas contendas a brinquedos.

Se te controlares verás que é praticável tomar conta do asco e olhar-me com calma.

Se parasses, se não toldasses os olhos de cada vez que te nasço no horizonte, talvez te apercebesses de que também tenho claridade e doçura, de que os meus traços não são assim tão crespos e virulentos.

Entristecesses-me, entristecesses-me aos bocados e coisa criada não pode tomar o lugar do criador.

Digo que me toldas o sorriso, apenas e só, não me constringes, não me avassalas, nem sequer possuis a virtude de me enlaçar o pescoço.

Não são os teus olhos nublados ou o teu corpo de recuo que me atemorizam, eu não agonizo na tua supremacia, nesse teu reino de pessoas livres, vestidas de coisas por acontecer e de mãos abertas, tens razão eu não caibo, nem me consigno.

Interessavam-me os teus olhos, interessa-me, ainda, a tua beleza ruiva mas não consegui conter-te um instante que fosse.

Ele, porventura, sabe de que me enganei, tu ainda não sabes falar e eu não consigo abrir a boca.

Não foste escolhido com base em cálculos e teorizações, não sabia se o teu corpo e as tuas entranhas se moldariam ao meu esboço mas sabia que a nebulosidade dos teus olhos era perfeita para que pudesse, finalmente, testar a escada industrial.

O espaço que via preenchido sempre que não te abrigavas da chuva, era o que me movia a curiosidade experimental e visceral para que deixasse escorrer das palmas das minhas mãos, fios de seda nipónicos capazes de te anestesiarem o coração.

Falhei, admito e lamento mas tudo isto não pode prosseguir sem que me dês permissão, se não me ajudares, se não engolires o meu fermentado sopro de vida, não posso deixar que te nasças de mim.

Sentar-me-ei junto à lareira e desabotoarei as mangas para que possa fechar o ventre venenoso que te criou e te conduziu a este mundo de bocados e esquinas sempre escuras e sempre aguçadas.

Se não queres, se não gostas, se te repugno, não há nada em mim, ou ao alcance das minhas mãos, ainda estéreis, que te possa volver no passadiço.

Peço, pois, que não me cruzes mais o caminho

publicado por Ligeia Noire às 21:35

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