“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

16
Nov 11

 


Hoje, percebi que nunca vou ter quem me saiba navegar os olhos.


Os quem fora do amor de sangue me tocaram o coração, durante anos, são agora momentos no tempo,


percorremos caminhos distintos, o caminho que eles escolheram já não os deixa verem-me.


As coisas que me atingem são agora coisas difusas para os seus sentidos.


Gostei das pessoas que eles eram.


Todos os outros não passaram de desapontamentos.


Alguns, em dias, já me não diziam nada, os outros, os outros, confesso ter querido com muita força que me fossem alguma coisa, que fizessem sentido mas não foram precisos muitos meses para lhes ver a distância nos olhos.


Não gosto deles.


É assim.


E chego agora, aqui, a este planalto e sinto o vento nas pernas e a mão esquerda a doer-me e dormente, não sei.


Sinto a mesma vontade de chorar e tenho medo que as costelas se adelgacem e não me deixem respirar.


Não choro, tenho medo.


E vejo tudo e tudo me faz querer chorar, como se presenciasse o mundo acorcovado e cheio de buracos,


num coração muito grande, o qual não me cabe nas mãos, a caminhar e a caminhar e quanto mais o mundo caminha, mais lanhos e feridas lhe nascem na casca.


Vejo tudo isto moribundo, negro, aleijado, esfomeado, rasgado, com fome e sem pai, ou mãe que lhes possa


agarrar a mão e ajudar a atravessar o rio das almas que é feito de breu.


É tudo tão fundo, tão negro, tão escarpado e precipitado e sinto náuseas e vertigens e medo, muito medo.


Sei.


Sei Supremo, ah sei...


Chego aqui, onde a queda impera, e vejo-me isolada.


Tantas vezes disse todas estas palavras, tantas vezes disse todas estas palavras em ordens diferentes, com intensidades diferentes, em caixinhas diferentes mas todo este amontoado de coisas que urgia ser cuspido, nada mais foi, é, e será, sempre, espelhos e mais espelhos do que jamais conseguirei atravessar.


Estou cansada, estou cansada lê, tu.


Lê.


Cansada de que falem e eu não sinta nada.


Cansada de querer não ser e, principalmente, não sentir.

publicado por Ligeia Noire às 00:42
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