“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

05
Abr 12


Doem-me as pernas.

Não gosto de manhãs, o que já não é novidade e, aproveito para dormi-las, quando posso.

No entanto, é durante este período que costumo lembrar-me mais facilmente dos pesadelos.

E têm-me atormentado de sobremaneira, ultimamente… talvez seja por isso que acordei triste.

Gostava de ajudar a esfarripar o quinteiro e a preparar a sala mas tenho coisas e mais coisas amontoadas na mesinha-de-cabeceira que se vão fazendo ao ritmo da culpa.

Aproveito para aliviar os cantos do cérebro, colocando a cabeça no meio das páginas destes novos-velhos livros.

Como podes imaginar, não consegui abster-me de ler um e escolhi aquele para onde os meus olhos se têm aconchegado.

A minha pena negra e branca já se escondeu dentro dele mas nem sei para quê, li-o numa hora ou talvez em menos tempo, não sei precisar.

Caricatamente ao que está ilustrado na capa, eu não meço o tempo mas nem a personagem o faz, é o nada Supremo, é a queda a imperar.

Como gosto da forma como esta mulher escreve, não preciso voltar atrás e parar, só se for para suster os assomos de desespero.

Tenho medo.

Nunca é demais dizer que as coisas importantes têm configurações simples.

A verdade é.

A beleza é.

Estou muito triste.

Hoje chove friamente nas japoneiras brancas e nos lírios roxos que irão aformosear a mesa de linho e receber a premissa de amor eterno. 

 

Eu Penso


Actualmente, não me resta muita esperança. Dantes, procurava, mexia-me a todo o instante. Esperava alguma coisa.

O quê? Não sabia. Mas pensava que a vida não podia ser o que era, ou seja, o mesmo que nada. A vida devia ser alguma coisa e eu esperava que essa coisa chegasse, procurava-a.

Agora penso que não há nada por que esperar, então, fico no meu quarto, sentado numa cadeira, não faço nada.

Penso que existe uma vida lá fora, mas nessa vida nada se passa. Pelo menos para mim.

Quanto aos outros, talvez se passe alguma coisa, é possível, isso já não me interessa mais.

Eu estou lá, sentado numa cadeira, em minha casa. Sonho um pouco, na realidade não, não verdadeiramente. Com o que poderia eu sonhar? Estou lá sentado e mais nada. Não posso dizer que esteja bem, não é pelo meu bem-estar que lá fico, pelo contrário.

Penso que não faço nada bem em ficar lá sentado e que deveria afinal, forçosamente, levantar-me mais tarde. Sinto um vago mal-estar em ficar lá sentado, sem fazer nada durante horas, ou dias, não sei. Mas não encontro nenhuma razão para me levantar e fazer o que quer que seja. Não vejo nada, mas mesmo nada, que pudesse fazer.

 

In Ontem de Agota Kristof


publicado por Ligeia Noire às 23:25
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