“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

27
Mai 12

 

I


É preciso saber gerir a sede, pelo menos a percepção que os outros têm dela, é preciso parecer lilás aos olhos do dia para ser digna da mais negra bênção no desaguar da noite.

É por isso que jamais gostei de vampiros espalhafatosos.

Não quero que me saibam as vontades, os detalhes, as doses, a ruína das necessidades e dos desejos.

Se descobrir que é a dama de paus que seguras junto à boca, com essas unhas inumadas e, mesmo assim assumir que quero ser jogada em tabuleiro aberto, o que faz isso de mim?

Se eu me quiser talhar, dessubstanciar, recortar, terei direito ao anonimato nos teus dias?

A Maria vestida de vermelho, como não poderia deixar de ser, estava ajoelhada na erva do pastoreio com um cordeiro bem branquinho ao colo. 

II

 

"Vais sempre menina. Vais sempre e eu só tenho de esperar que voltes, eu uivo"

Aprazi-te assim?

Foi do teu gosto que me deixasse espalhada e confundida no meio de malmequeres bravos?

Não há perfume igualável.

É dali que se sobe e é dali que se começa.

Percebi a oferta não pronunciada e aceitei-a sem to dizer.

Já oiço o teu escárnio daqui, já oiço os teus olhos a derramarem risos absurdos para cima de unhas ao nível dos lábios…

"Não estavas absorta pelos vales e silvados do sujeito demorado? Não era ele a tua musa, o teu espaldar de racionamento?" 

Ah Sangue bravio... não foi, não foi, não poderá jamais coadunar-se comigo.

Sou suja demais para ele, continuo a mergulha-lo mas não o posso beber.

Somos substâncias imiscíveis.

Pranteio mas não posso refazer-me para que ele me consiga afagar o cabelo.

Continuo e prossigo no negro azeviche do meu ninho.

Reconheces-me e reconheço-te dentro da mais pura negritude porque somos bichos de beiradas de precipícios.

O meu arco também é vermelho. 

 

Drink up sweet decadence
I can't say no to you
And I've completely lost myself and I don't mind
I can't say no to you 


(...) So take care what you ask of me... 

 

Excerto de Good Enough dos Evanescence/Excerpt from Good Enough by Evanescence

publicado por Ligeia Noire às 18:32
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