“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

25
Abr 14

 

The car's on fire and there's no driver at the wheel
and the sewers are all muddied with a thousand lonely suicides
and a dark wind blows

the government is corrupt
and we're on so many drugs
with the radio on and the curtains drawn

we're trapped in the belly of this horrible machine
and the machine is bleeding to death

the sun has fallen down
and the billboards are all leering
and the flags are all dead at the top of their poles

it went like this:

the buildings tumbled in on themselves
mothers clutching babies picked through the rubble
and pulled out their hair

the skyline was beautiful on fire
all twisted metal stretching upwards
everything washed in a thin orange haze

i said: "kiss me, you're beautiful -
these are truly the last days"

you grabbed my hand and we fell into it
like a daydream or a fever

we woke up one morning and fell a little further down -
for sure it's the valley of death

i open up my wallet
and it's full of blood

 

Monologue by Efrim (Godspeed you! Black Emperor) for incomplete movie from jail/Monólogo da autoria de Efrim para o filme "incomplete movie from jail".

 

publicado por Ligeia Noire às 14:50
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08
Nov 13

 

Sabes quando tu sabes que não mas mesmo assim dizes que sim?

Ora bem, lá vamos descendo as caleiras até à gruta pestilenta e, sem se saber porquê, deliciosa.

Há este projecto novo do Chino, ou melhor, projectos, Palms e †††, gosto mais deste último, tem canções simples e bonitas e apesar de me estarem a puxar as pálpebras continuo e prossigo neste continuar circular.

Deviam ser umas cinco ou seis horas da manhã porque me lembro de acordar e me lembro de me ter lembrado que tinha sonhado, acho que é essa a hora preferida do meu cérebro se deixar levar.

Sonhei com uma pequena cidade que pouco gosto e que parecia outra cidade na qual nunca estive, dentro de um autocarro que vinha de longe, estávamos nós, e havia muita coisa, eu estava no fundo à procura do meu guarda-chuva que não via em lado nenhum e só me apareciam roupas e mais roupas, rendas negras, desfeitas, atrapalhando tudo e tudo… estava ali uma das minhas, já não, melhores amigas, porque sim, nunca tive boa pontaria para as amizades, todas as que considerei confidentes estariam melhor do lado da linha vermelha, agora tenho amigos descomplicados e juntamo-nos para comida e bebida em dias de festa, não há mais dias de "ora senta-te aí e dá-me uma caneta que eu escrevo para ti umas linhas cheias de podridão, depois abraça-me e depois, ainda, haverá tempo para que te dê a chave e tranques tudo com a fechadura que comportamos nós".

Estava lá e eu também e havia coisas a acontecerem e não sei se era de dia ou de noite, era como se fosse tudo normal e eu como na vida do lado de cá, só queria encontrar o guarda-chuva, que acabei por achar, e vir embora.

Depois disso fiquei a olhar pro escuro e a pensar...

Agora é tudo maduro e crescido e nómada e torres de marfim ou então até queríamos ajudar e abrir o fecho para lhes vermos onde dói mas não há, de parte a parte, coragem, há só orgulho e lassidão e frases que terminam e acabam dentro de nós.

Estas canções feitas de cruzes estão a deixar-me mal, estão a querer que repense, que admita, que me volte na cama e feche os olhos mais e mais e eu não sei se dá, se volto, se sei voltar.

Deve haver esta imagem em muitos filmes, a da pessoa que se olha ao espelho e que sem falar nos transmite onde chegou…

Odeio que o tempo passe assim, odeio que chova assim sem tréguas, sem dias em que o sol fure as nuvens e eu possa, ao final da tarde, à hora do lusco-fusco, fugir por umas horas, sem destino, sentar-me, sabe Deus onde, e falar contigo Supremo, sem abrir a boca, pousar os olhos no laranja do sol a adormecer e apertar mais o casaco, mais os cordões, mais a trança, mais os braços.

Levantar-me, já sem saber onde estou, e desejar que não exista Mundo mas, depois, vem aquela estrela grande, lá ao fundo, que não sei de onde ou quando mas está ali e eu fico a olhar para ela e penso muitas coisas, como o facto de estar aqui e isso não ser muito importante, como o facto de o tempo passar assim, muito depressa, mas isso não fazer muita diferença.

Quero continuar a ouvir †††, quero continuar a sentir-me sozinha.

 

publicado por Ligeia Noire às 15:15
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28
Out 13

 

As coisas que não conto a ninguém, as coisas que não conto a ninguém roem-me e liquefazem-me os ossos e, então, depois, fico esta coisa invertebrada e  fraca.

Sabes Supremo, hoje é um dia triste e hoje neste dia triste os olhos enchem-se e enchem-se e como imitam a chuva e como imitam a chuva tão bem.

Não aconteceu nada, estava a tentar ler e enquanto lia, não lia, tinha lágrimas e elas não me deixavam ler.

Asylum Party vai tocando, vai tocando e penso que não lhe posso contar que estou triste porque depois ele fica triste também e eu não quero que ele fique triste porque quando isso acontece, anoitece mais cedo e não posso sair daqui e não posso ver onde ponho os pés.

Amo-o sim, mas continuo a ser inútil e estragada e a querer ir embora.

publicado por Ligeia Noire às 12:54
música: "La Nuit" dos Asylum Party
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03
Set 13


I want to fly into the sun

Need faith to make me numb

Live like a teenage Christ

I'm a saint, got a date with suicide

 

Oh Mary, Mary

To be this young is oh so scary

Mary, Mary

To be this young I'm oh so scared

I wanna live, I wanna love

But it's a long hard road, out of hell

I wanna live, I wanna love

But it's a long hard road, out of hell

   

You never said forever, could ever hurt like this

You never said forever, could ever hurt like this

 

Spin my way out of hell

There's nothing left of this soul to sell

Live fast and die fast too

How many times to do this for you?

How many times to do this for you?

 

Mary, Mary

To be this young I'm oh so scared

I wanna live, I wanna love

But it's a long hard road, out of hell

I wanna live, I wanna love

But it's a long hard road, out of hell

 

You never said forever, could ever hurt like this

You never said forever, could ever hurt like this

 

I wanna live, I wanna love

But it's a long hard road, out of hell

 

Long hard road, out of hell

 

I wanna live, I wanna love

But it's a long hard road, out of hell

 

Sell my soul for anything, anything but you

Sell my soul for anything, anything but you


Long Hard Road out of Hell by Marilyn Manson/Letra da autoria de Marilyn Manson


publicado por Ligeia Noire às 15:15
sinto-me: Oh Mary, Mary, Mary...

05
Mai 13


O Chino tem uma forma muito especial de cantar as palavras, elas saem com efeitos que não se conseguem em pro-tools.

Cada vez que ele começa com o Can you explain to me how... separam-se ali águas.

Aquela voz de dormida incompleta, de sexo passional, cheia de saliva, às vezes, e, outras, desamparada de esperança, e a esperança é uma coisa muito importante.

Ai de nós se a perdemos. 

Achas que sabe a verdade?

Que a Terra tem um buraco, uma cratera, para que será?

Hoje é só para isto, escuro, corpo estendido e a esperança de encontrar o buraco.

 

Can you explain to me how
You're so able? How?
It's too late for me now
There's a hole in the earth
I'm out

There's a hole in the earth
I'm out

Can you explain to me now
If you're still able? Whilst...
I think you know the truth
There's a hole in the earth
I'm out

I hate all of my friends
They all lack taste sometimes

There's a hole in the earth
I'm out
There's a hole in the earth

Please take a bow
(This is the end)
Somewhere
(This is the end)
Somewhere

There's a hole in the earth
There's a hole in the earth

I hate all of my friends
I'm out
There's a hole in the earth
I will wait
Somewhere

 

Hole in the earth by Deftones/Letra da autoria dos Deftones

publicado por Ligeia Noire às 16:53
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05
Abr 13


Ante Scriptum: A letra é genial, assim que ouvi a canção na série dos irmãos e do anjo caído, não cessei enquanto não a descobri, diz tudo.


It's cold outside
And I'm not quite
Ready for the morning light
My hands are tied

'Cause if I tried
To leave this place I'd surely die
I'd surely die
Hey, hey, hey, I'd surely die

There's stories of
Way back when
A guy got out and made it there
I think I'm gonna give it a try
Even though I'll surely die
I'll surely die


Hey, hey, hey, I'd surely die


lyrics by The Rubens/letra da autoria dos The Rubens

 

Olá tell-tale heart.

Foi há um ano, talvez?

Escuta a estória com as palavras sonorizadas da minha boca:

-Não consigo respirar, estas paredes, esta altura toda, já não são as pessoas, é o imbróglio todo, não sei o que fazer.

-Sai, se te sentes presa sai para onde não haja barreiras visíveis.

Saí do quarto, fechei a porta, desci a escadaria até à rua, abandonei a estrada, saí da cidade e mesmo se saísse do país o sufoco continuaria, como se a força da gravidade tivesse triplicado e me empurrasse, não para baixo, mas para dentro de uma caixa onde só podia estar corcovada.

Aninhada como uma cadela espancada.

Como podia parar de sentir aquilo se o mundo é redondo?

Se não há uma aresta por onde resvalar?

-Como abrir a porta daqui para fora?

-Espera.

E as mãos suavam e o peito contraía-se e não conseguia inspirar, doía-me o estômago, tremiam-me as pernas e o choro era convulsivo e aleijava que chegasse.

O medo de algo iminente era industrial e sangue caía-me do nariz para a boca.

Fechei os olhos e sentei-me no chão, com as palmas das mãos bem abertas no azulejo frio.

Rezei para que parasse.

Ainda houve uma noite em que acordei com uma hemorragia nasal e noites se seguiram em que queria chorar mas privei-me de o fazer.

Aprendi a distinguir o choro sufocado e agressivo, do natural e quando o primeiro me espremia a garganta, desabotoava o que quer que tivesse vestido e punha a música mais alto, sabia no que ia dar se me deixasse levar, tinha medo de morrer.

Era como se estivesse nua e o adamastor tivesse as patas a abarcarem-me as costelas todas.

Ainda tenho pesadelos de que acordo lavada em suor, estertores, dores no peito mas há também este caderno medicamentoso, violências, pingentes de gelo e visitas a Baco em dias de solenidade.

publicado por Ligeia Noire às 00:02
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24
Mar 13


Antes:

Quero escrever para me libertar deste sufoco, deste atilho do porvir e não consigo.


Depois:

Às vezes sonho que ando muito depressa, como se estivesse a correr mas não corro, é como se galgasse, como se cada passo fosse um salto, é muito difícil pôr isto por palavras... sonhei outra vez com essa parte anoitecida e, quando olhei para as minhas pernas percebi que eram de um animal, eram patas e eu estendi o torso como se fosse um cão ou um lobo e, com as pontas fazendo grandes extensões, percorri os carreiros escuros do lado como se fossem vales e vales e eu só tocasse nos cumes.

Persisto neste círculo de coisas a acontecerem, coisas de que não vale a pena falar, continuo a ter discussões e a ser agressiva e azeda ao mesmo tempo que me adocico e faço braços de sol para que todos se libertem de cruzes pesadas de madeira que por certo lhes acorcovam as costas.

Sou intervalada e volúvel em aflição, vivo em perigo de perda constante.

Às vezes odeio o Mundo e as pessoas que ele guarda na barriga, todas, essas, muitas... pessoas.

Outras vezes, tenho mágoa nos olhos e, senti-lo, só me faz querer chorar convulsivamente.

Com os dois olhos magoados e o tacto cheio de desgosto e caiado de pesar, penso nos dois pés juntos e, movendo o direito em sentido norteado, acerto-me e volto no carreiro, ponho a domino e junto as mãos ao peito fechando muito os olhos, até que tudo seja noite e giestas brancas à chuva.

Sou esta e mais nenhuma.

publicado por Ligeia Noire às 22:34
música: "MMIX" dos Líam
sinto-me: e, e, e, e, e, e, e, e, e, e,
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06
Mar 13


Ante Scriptum: Vivo com obsessões, ando envolta na União Soviética e desta feita caminho por Chernóbil e lembrei-me deste filme do Ridley, o gajo que, para além de um cineasta que sabe o que faz, prova ser um letrista que escreve em condições.

E ao regressar ao âmago da trilogia veio esta avalancha de sentimentos que já tinha começado há umas semanas, senão meses... esta condição de sufoco, de impossibilidade, esta compaixão que só compreendi com o Kundera e de que falarei mais tarde.

Tudo isto intercede junto da minha índole virginiana de mãe estéril que amamenta todos.

Este hino à aberração, esta elegia ao desaparecimento baixinho, aquele em que nunca se existiu.

Este pedido de boca seca e coração empalado para que venhas e consertes estas dobradiças guinchantes, este medo do que não se vê, do que não se conta.

Houve uma professora que comentou, assim sem delongas, que estava morto, que a pós-modernidade era isto e aquilo e eu contei dois e pensei: um conjunto de nada e coisa nenhuma e ainda por cima sem graça é o que caralho é, na verdade.

Morto, disse a gaja, assim, e escrevi na cabeça e chorei em casa porque tenho medo e lembrei-me do outro também e como não sei de cor fui perguntar à senhora Wikipédia, sempre pronta a ajudar os oprimidos:

 

Deus está morto!
Deus permanece morto!
E quem o matou fomos nós!
Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes?
O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas.
Quem nos limpará desse sangue?
Qual a água que nos lavará?
Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar?
A grandiosidade deste acto não será demasiada para nós?
Não teremos de nos tornar, nós próprios, deuses, para parecermos apenas dignos dele?
Nunca existiu acto mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste acto, de uma história superior a toda a história até hoje!

Nietzsche, A Gaia Ciência

Vês Supremo? 
Anda depressa, senão depois acontece-me como o gigante dos olhos verdes: too late: frozen.

Heartless

When I woke up this morning the trees didn’t work
bird song had turned to gunfire and the stars were in the dirt
The snow feels like a heatwave,
The sunshine feels like rain.
If a feather touches my skin, it causes me pain

Come back, come back
And make the world work again.
Come back and put an end to all this mess,
Come back and prove the world’s not heartless.
Come back and prove the world’s not heartless.

The air is thick as tar and my skin is bruised and stung
I try to talk but no one understands my tongue
With every passing second,
I age a million years
When I fall and graze my knees
The universe cheers

Come back, come back,
And make the world work again.
Come back and put an end to all this mess,
Come back and prove the world’s not heartless.
Come back and prove the world’s not heartless.

When I call your name out
it tends to shrapnel in my mouth
And the last time I looked up the north star was south.

Come back, come back,
And make the world work again.
Come back and put an end to all this mess,
Come back and prove the world’s not heartless.
Come back and prove the world’s not heartless.

 

Lyrics by Philip Ridley/Letra da autoria de Philip Ridley


publicado por Ligeia Noire às 21:47
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05
Mar 13


Somos órfãos até de nós próprios.

Abandonámo-nos.

Não há nada aqui, não há magia, esperança, fé.

Não sei como era séculos antes, ou nos primórdios... mas, agora, está tudo ainda mais maquinal do que na ida Metrópolis, não há nada aqui em baixo, já não há, acredito que houve, nalgum momento no tempo mas não agora, não agora.

Não há misticismo, mistério, fantasmagoria, epifanias…

Estive a ouvir Sigur Rós, aquela música que parece uma litania fúnebre.

Nos meus anos de adolescente, lembro-me de estar a ver a tabela de discos na televisão e do nome destes gajos aparecer, várias vezes, por ali. Passavam telediscos deles também, deviam vender bem por cá, aliás sempre tive a ideia de que a relação de Portugal com eles era bastante profícua.

Na altura não ligava muito a música, nem sabia bem o que era.

O que passava era uma merda e aquilo que não o era, não chegava cá.

No caso destes islandeses, não percebia ou achava aborrecido e demasiado divagador, já não recordo.

É curioso que, mesmo na altura da ditadura das editoras, que graças à internet acabou de vez, havia alguns furões que conseguiam escapar até lugares tão recônditos quanto aqui o bosque que, certamente, seria bem mais perdido que Reiquejavique.

Estou a conhecê-los, hoje, depois de tantos anos…  hoje e agora que a minha cultura de música etérea e shoegaziana é um pouco melhor e a solitude mais à vontade.

Nas alturas em que me resvalo, um pouco, da violência para permanecer por outras paragens, páro muito.

Devo agradecer aos Alcest que, tantas bandas novas e admiráveis já me ofereceram e que, uma vez mais, me desataram novos/velhos atilhos.

E, pronto, já que o Winterhalter e o Neige foram gravar o novo disco para a Islândia, no estúdio e com o produtor dos Sigur Rós e, graças a uns pozinhos vampirescos lá me decidi a visitar as encostas destes ambientes sonhados.

Escusado será dizer que as que mais me adocicam são as tristes, as muito tristonhas.

Impossível não me lembrar, um pouco, dos Dead Can Dance, Cocteau Twins e mesmo dos My Bloody Valentine, tudo divindades e, mais uma vez, é preciso maturidade e calmaria para namorar as conchas.

A escrever-te e a lembrar-me do primeiro concerto que os My Bloody Valentine deram em Portugal, foi num festival novo, lá p’ro Algarve, onde os Offspring eram cabeças-de-cartaz e actuavam a seguir aos referidos, já podes imaginar o conflito de públicos…

Li por aí um fã da banda americana dizer que até gostou do som dos irlandeses (à parte do holocausto) mas que gostava que os vocais estivessem mais audíveis, fossem mais proeminentes.

Destaque é tudo o que o Shoegazing não é, aliás, conta-se por aí que o epíteto do género foi começando a pegar porque os guitarristas que iniciaram por este terreno estavam sempre de cabeça baixa, olhos postos nos pés, isto é, nos pedais a causarem a tão definitória distorção.

Assim, a voz neste género não tem a mesma superioridade ou não coloca a cabeça no outeiro como a da ópera, a do rap ou a do RnB.

A voz, aqui, é mais um instrumento, as palavras só estão ali porque sim, podiam significar coisas ininteligíveis, podiam, olha a glossolalia da boca da Elizabeth Fraser, da Diamanda ou mesmo o dialecto esperançoso do vocalista dos Sigur Rós, não interessa, é para o the greater good como diria o Reznor que anda por aí a espreitar.

E não sei porque fui por aqui, eles nem sequer são shoegaze, são pós qualquer coisa, rock, sim rock ah já tinha dito…

E coloquei os auscultadores e fui à deriva até ao monte.

Já estava a escurecer e caiu aquela ambiência nocturna que me causa água na boca, o céu com bocados bem escuros, o vento espesso a sacudir as árvores todas, ainda bem que tinha o cabelo entrançado e preso com ganchos, não chovia e estava frio seco.

Lá de cima, olhei para o lá em baixo e lembrei-me da dureza de tudo e lembrei-me de uma entrevista do Johannes dos Cult of Luna aquando, provavelmente, do Somewhere Along The Highway, ou seria do Salvation?

Não, não era… em que eles tinham ido gravar para um celeiro, ou cabana lá p'ro meio dos nenhures suecos e, durante a noite, viram uma rapariga de branco lá ao fundo e nunca chegaram a saber de onde vinha ou para onde foi…

Bem, se calhar inventaram isso, como inventaram a historia do Holger Nilsson no Eviga Riket, confesso que fiquei fodida, até já estava com ideias de traçar um paralelo entre os males do Reino do Ugín e o mal nascente do Twin Peaks mas agora não me apetece, não, que não existam pessoas, aparentemente, sofredoras de distúrbios mentais a cometerem crimes e a não assumirem os mesmos, acusando seres aparentemente fantasiosos…

Digo isto porque estava ali, no alto, com o vento a levantar as folhas que não caíram e o céu negro cedia algumas pingas de chuva ou lágrimas de Deus porque a música chorava e porque o Mundo é um lugar tão triste e tão sozinho e tão sem pai, porque estou triste e quando estou triste todas as gotas são lágrimas.

 

publicado por Ligeia Noire às 01:08
música: "Dauðalogn" dos Sigur Rós
sinto-me: de noite

15
Dez 12


The idea, there are human rights and we will enforce them by any means, is of course absurd.

That's not how the world works but you're still quite an idealist when it comes to the world in general...

-but I am also a realist.

-no, you are not, at all.

 

In Ходорковский realizado por Cyril Tuschi

publicado por Ligeia Noire às 14:04

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