“We are like roses that have never bothered to bloom when we should have bloomed and it is as if the sun has become disgusted with waiting”.

03
Ago 13

 

Já tenho o vestido e ele ama-me e elas já voltaram e o meu mês já aqui está e há céu azul e o sol vai espreitando pelo meio das videiras e tal como vamos à confissão, deveria existir uma saleta com uma figura de capuz para nos espancar sempre que disso necessitássemos.

Estou triste, não me apetece falar com ninguém, nem estar com ninguém, sinto-me inútil, danificada, destruidora, anulada e não prossigo porque me faz mal e porque é humilhante, repetitivo e foda-se.

É culpa, é insatisfação, mas de que raio preciso eu?

Tenho a sensação de que mesmo se tivesse isto e aquilo, esta merda haveria de voltar na mesma.

É Líam que toca e apetece-me chorar, já não sei o que fazer e dizer que me sinto revoltada por não sair desta merda de túnel, é um eufemismo.

Porra… é que isto, raios que ódio, sinto-me injustiçada porque é como se estivesse condenada ou uma merda do género, mesmo que tenha feito isto e aquilo, tenha isto ou aquilo, há sempre uma traça ali dentro, uma ratazana, um não sei quê, vindo não sei de onde.

Uma vez um amigo disse-me que eu necessitava disso, de cair, da melancolia, se o faço não é de propósito, se está tudo bem e sou eu que enegreço a paisagem, então não me culpes, culpa a outra de mim, a que viveu antes porque eu já não sei quem sou ou se há remédio para isto de que, aparentemente, sou feita.

E não, não vale a pena falar, só escrever para os mortos e para as almas vadias, não quero que venham com braços e mãos e sorrisos, só de formular a situação ainda mais me enterro e escondo e procuro adagas e arame farpado para manter tudo isso do outro lado da escarpa, odeio-me e quero morrer mas foda-se Supremo cala-te bem calado e ri-te apenas da minha invertebralidade e imperturbabilidade porque eu sou aqui há tanto tempo, eu sou aqui há tanto, tanto tempo, que abro sorrisos e vontades de ouvir e ajudar sempre que quero, mesmo que me sinta a mais reles das criaturas debaixo do sol, já agora que se foda o sol também, se ele não fosse tão novo já os meus problemas teriam acabado sem que eu movesse uma palha, sem que me pudessem culpar ou descobrir pela salvação.

 

publicado por Ligeia Noire às 10:57
sinto-me: Vamos sem olharmos para trás.
música: "II" dos Líam
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20
Jun 13

 

Como ando sempre em Marte, só dei conta deste disco ontem.

Passou-me ao lado todo o rebuliço e marketing feitos o ano passado à volta deste CD mas, se percebesse do aspecto técnico da música, teria todo o gosto em fazer uma resenha ao álbum e aos instrumentos usados, participações especiais e quejandos, ainda agora.

Deixa-me só frisar que o senhor Peter Bjärgö dos Arcana anda por lá.

Mais um sueco de uma banda sueca que admiro e gosto muito.

Cheguei a este Redefining Darkness através do, já nestas páginas citado, Lots of Girls are Gonna Get Hurt e, a minha primeira reacção a esse, Lots of Girls are Gonna Get Hurt, foi sorrir, sorrir como se o disco fosse uma private joke entre a banda e os ouvintes, depois… depois deixei-me arrebatar pelo quão bom e melódico ele realmente se revelou.

Agora percebo a razão pela qual montes de mocinhas se iriam sentir ofendidas, essas mocinhas são nada mais, nada menos do que os trves com quem o Niklas gosta de trollar e fez efeito, porque brotaram Marias queixosas por todo o lado.

É claro que também a mim me apanhou desprevenida e surpreendida mas pela audácia, pelo sentido de humor e pela qualidade.

E pronto, foi graças a esse disco de versões que os voltei a ouvir, porque desde os tempos do The Eerie Cold e do Halmstad que os deixei à deriva neste mar meu.

Não tive tempo para experimentar o que andou pelo meio e aterrei neste, que clama redefinir a escuridão.

Por entre este singular caudal musical, a banda que mais gostava e que mais andava comigo ao colo, eram os também suecos Lifelover.

(deve existir qualquer coisa na água da Suécia, deve haver mesmo.

Pop up, pop up e pop up …)

Não eram repetitivos, eram excitantes, misantropos e dotados de um humor negro de veludo.

Os trechos de canções infantis e tradicionais, as recitações ou partes faladas, a mistura de Black Metal, Post Punk ou Dark Ambient que caíam que nem uma luva no meu gosto musical, porque sim, tudo tem de ter um motivo, uma pungência, "não dás ponto sem nó" dizem-me muitas vezes, ah pois não dou. Como diria a Senhora de Negro se o cabelo estiver despenteado estará, com certeza, deliberadamente despenteado.

O paradoxo da rapariga que reverencia a Natureza e o natural mas que gosta do ritual de preparação… pois, não sei explicar, poderia dizer que é uma de mim e outra de mim: a de cima, mas responder-te-ei que não sei e é mesmo assim.

Foram estes gajos que, há uns tempos, me arrastaram para o DSBM mas, depois, como o B. morreu, foram-se embora e fiquei órfã, há outras bandas claro, há muitas mas a maior parte é demasiado linear, ou demasiado ortodoxa, ou simplesmente não me cai nas graças, olhe-se os portugueses Inverno Eterno, até trechos do Mário de Sá-Carneiro usam mas até agora não aconteceu nada entre mim e eles.

Os Lifelover foram amor à primeira vista, misturavam dor e melancolia e humor e podridão e elegância e sedução e desespero e melodia com uma mestria assinalável.

Os Shining… os Shining são feitos da mesma cepa e este novo álbum prova tudo isso com a maior das multitudes.

Geralmente, não sou apologista do argumento: «ah e tal, uma banda tem de evoluir» porque quando lês ou ouves isso, o cd é normalmente uma merda, ou completamente descaracterizado ou então venderam-se à puta mas também não gosto de estar a ouvir sempre a mesma coisa, como se a música não fosse arte e não precisasse de desafiar o receptor, como se o pessoal fosse papar tudo, sem ganhar nada com isso.

Eu quero desafio, alargar de cercanias, evolução mas evolução sentida e natural.

Por exemplo, os Anathema.

Os Anathema evoluíram naturalmente, os novos álbuns têm a mesma força que o Silent Enigma, por exemplo, com a ressalva de agora terem a esperança como base e não a agonia do passado, a melancolia continua lá mas ganhou esperança.

Pode-se preferir uma ou outra fase mas não se pode dizer que ficaram estacados ou presos à fórmula.

Já o último dos Katatonia… não é um mau álbum mas não é cativante, nem diferente, não deram o passo seguinte, soa-me ao mesmo mas com a desvantagem de já não existir ali uma Soil’s song ou a surpresa que ela causou.

Este Redefining Darkness já não tem medo de alagar tudo e de saltar para outro barco e sim eu sei que o Kvarforth é um Show-man mas isto de dar um passo em falso pode matar o artista, é por isso que ele deu os passos todos até saber que estava em terreno firme para começar a trilhar diferentes caminhos, não que ele já não tivesse usado vocais limpos ou outros instrumentos no passado mas, desta vez, dá a sensação de que há liberdade em tudo.

Há berros gorgolejantes, há súplicas ao Deus do plano inferior, há saxofone, há spoken word em espanhol:

 

Estás en la bañera, rodeada de espuma, y extiendes el brazo... y con una cuchilla, despacio... dibujas un surco en tu muñeca... una rosa de sangre perfecta por donde se sale tu vida, desorientada... abrazas la muerte como un consuelo, y finalmente... descansas.


Há guitarra acústica, que me faz lembrar viola ou até guitarra portuguesa, há piano desolado, há baixo delicioso (meio glam diria), há bateria que inunda, epicamente, a base sonora sob a qual a canção é construída.

Há muito imponência.

Por aqui e por ali até me fazem lembrar dos supramencionados Katatonia, aquela profusão de som coroada por uma voz limpa e lamentosa.

Há sussurros também… e há temas em inglês, continuam a ser seis como sempre, mas desta feita, três deles são em inglês, não que isso me desanime porque estão bem escritos e por vezes até jocosos:

 

Father... who art not in heaven
Hear my cries of true remorse
To let a mortal being ever coincide with thou
Must be punished by a fate worse than death 

 

Mas, sinceramente, preferia que fossem todos em sueco, mesmo que não perceba um caralho do que ele diz… porque escrever na língua materna dá sempre muito mais liberdade e intimidade ao autor. É preciso ter um domínio extenso em todos os campos de uma língua para que se consiga dizer aquilo que se quer, sem deixar de lado as ambiências e os segundos sentidos que toda a língua carrega consigo e, mesmo assim, o inglês como língua oculta e original nunca existiu e a nobreza que carregava, perdeu-a toda com a globalização.

O inglês é aquela roupa que vestimos quando estamos em casa, dá pro gasto… deve ser porque sempre gostei de línguas sonoramente mais ásperas, agrestes, não tenho culpa.

É-me nato.

Voltando ao assunto, gostei realmente deste álbum, como já se percebeu, está bem ao nível do Halmstad, se calhar ainda mais criativo até.

Não ouvi os dois anteriores mas devo dizer que para um gajo que criou a banda com doze anos, está a crescer bem, pelas incursões no álcool e na droga do costume, não esperava que brotasse assim, confesso.

Às vezes, dizem que x ou y compunha bem quando estava mamado, implicando que sem ter as veias cheias não vale nada.

Lérias.

Não é a droga ou o álcool que escrevem por ti, se assim fosse os toxicodependentes eram todos artistas, torturados, mas geniais, se assim fosse, todos os criadores que já alguma vez existiram, continuariam a escrever, a compor, a pintar só precisando de uns chutos, umas garrafas ou uns riscos para atingir a centelha… a diferença está na alma, na dor e na inocência que a premeia.

Não confundir inocência com ingenuidade, quando digo inocência refiro-me à vontade e à coragem de saltar sem saber se alguém está lá, rebeldia sim, espontaneidade também mas, para mim, tudo isso não passa de inocência, inocência que termina com a idade, com o emprego, o dinheiro, as pessoas, a responsabilidade e o tempo.

A dor até continua, a miséria de viver também mas a inocência, ai a inocência… essa vai-se e para sempre e, mais tarde ou mais cedo vamos conformar-nos, (com+formar, de forma, como aquelas de fazer os bolos) às exigências da vida.

 A dor ainda permite criar coisas negras e belas mas já não há inocência para saltar, não há romantismo que faça desembainhar a espada para defender essa criatura negra e bela.

Então, elas vão ficando emaranhadas, teias cobrem as partes mais agrestes e belas para que possam ser vendidas e apreciadas por todos.

É isso que salta cá para fora e nos saúda com coisas bonitas, não é o cavalo ou o pó estelar que escrevem ou compõem por eles, quanto muito ajudam a amenizar a dor ou a aparecer em palco e a comunicar com o público, é a profundidade do sentir, a dor de pensar.

Concordo com quem diz que a música deles é suficientemente boa para que não sejam precisos tantos teatrinhos à volta da mesma mas também não condeno toda a panóplia, umas vezes encenada e outras vezes não, que o Niklas dispõe nos concertos e fora deles.

Ei, eu sou apreciadora profunda do Manson e dos seus Spooky Kids como poderia não apreciar?

O que seria do Black Metal sem toda a majestade das vestes, dos espectáculos, o cerimonial dos concertos?

A controvérsia?

Tudo bem que gosto dos Deafheaven ou dos Altar of Plagues ou ainda de uns Wolves in the Throne Room mas tirarem-me cabelos longos, vestes elaboradas e toda a mística e periculosidade dos concertos e do que rodeia a banda por miúdos de hoodies, camisas aos quadrados, óculos e sapatilhas é deixar a cena nua, a música continua lá, eu sei, mas precisa de estar vestida para que os seus a encontrem acho que isso rouba todo o sortilégio e reverência de que o Black Metal sempre se envolveu.

Fields of the Nephilim sem indumentária à spaghetti western do Apocalipse?

Manson sem plataformas?

O Eldritch é um caso à parte, ele bem se tenta vestir de laranja e amarelo mas eu vejo-o sempre como se estivesse de negro.

Azar, uma vez escolhido…

Olhem-se os Rosa Crux: letras em latim, sinos, carrilhões, ok chega de trazer para aqui o gótico.

Claro que, às vezes, muitas vezes, anda tudo mais à volta do eyeliner do que de conseguir a melodia que faz os Senhores do Mundo dos mortos chorarem mas quando se conjugam os dois…

Terminando as conversas divagadas, o Redefining Darkness é um álbum do caralho e não consigo parar de o ouvir.

 

publicado por Ligeia Noire às 00:19
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12
Jun 13

 

Às vezes sinto que basta um botãozito para me derrubar do cavalo, é como se toda a minha vontade fosse feita de esforço, como se a determinação se pautasse de crer nela a muito custo.

E como tudo isso não é natural, basta uma aragem para que o mundo venha abaixo deste lado.

É a segunda vez que o gajo, amigo da amiga, me aparece em sonhos e ignoro a importância disso porque é impraticável.

Existe este perigo sempre presente em mim de começar a pender para o lado de lá, de que viver dentro da minha cabeça é mais apelativo do que fora e, convenhamos de que é, mas finjo que acredito no contrário para manter a sanidade dos que me rodeiam e para manter o dinheiro de que preciso para viver, de resto, poderia nunca mais voltar aos dias das nove às cinco, aos dramas económicos, aos bandos de aves migratórias, às fugas de conversas sérias, aos exames médicos, aos sins e nãos, com ocasionais pois e realmentes (respostas minhas a conversas que não oiço) porque estou tão farta mas tão, tão farta que nos dias em que acordo a pender mais para o lado de lá sou um perigo público e mais valia que me pagassem para ficar na cama.

Gosto de cinema asiático, não o procuro deliberadamente, nem tenho grande conhecimento de realizadores ou ondas de géneros mas de vez em quando lá me encontro com um, ontem foi o Kairo, o que mais gostei nele foi a sensação de que a tristeza daquela gente era tamanha que não me cabia na cabeça que pudessem não acabar mortos.

Almas assim só podem encontrar paz na morte, nada aqui lhes vale de sossego, é como se vivessem em velo constante.

Há uma onda crescente de suicídios na juventude japonesa, o Mário de Sá-Carneiro diz que os suicidas são heróis e que cobardia é desperdiçar a vida sobrevivendo.

Há dias em que gostaria de ter a liberdade de o fazer mas as razões pelas quais não me permito a essa liberdade, não me põem na gaveta dos cobardes, nem dos heróis mas dos honestos, dos tem de ser, e em último reduto, dos mártires -na acepção do meu filme preferido-.

Há na partida que se faz por desesperança uma tremenda melancolia, uma pena imensa, um podia ser que… deve ser isso que sentem os que se imiscuem na roleta russa, pode sempre ser que a sorte esteja do nosso lado ou então viemos com o destino escrito e pendurado ao pescoço e esta senda não se inverte por bafejos sortudos.

 

publicado por Ligeia Noire às 14:05
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21
Mar 13


Intro:

Oiço Líam e já tenho vergonha de gostar de todos os projectos e bandas em que o alemão, (e já agora o francês) põem as mãos, foda-se já parece caçada da minha parte, irra!


Voltando às coisas inúteis…

Ainda gostava de saber qual é o problema de certas figuras em aceitar o entendimento dos outros sem mandar o seu bitaite, a sua crítica acotovelada, sarnenta, bolorenta e corrosiva.

Sou a maior das assíduas no que ao humor corrosivo diz respeito mas detesto quando é usado para mostrar superioridade: eu sou melhor do que tu.

Escrevo estas palavras com uma pessoa visível na minha cabeça, foi por isso que deixei de a suportar, mimo, choros de atenção e mania… foda-se vira aí o leme marinheiro que não era disto que eu queria falar.

Era do senhor doutor, não, não vou mencionar a graça do excelso.

O pessoal achava-o pouco atraente mas eu até que tinha vontades de debicar, deve ter sido por causa do cabelo à Keanu Reeves e pela vontade que ele tinha de me desafiar.

Já lá vão uns bons anos mas confesso ainda me lembrar de quando ele me encavacava por estar desatenta a mexer no cabelo.

Bem, mas ia eu dizendo que não gosto quando se armam em espertos e o senhor professor nutria uma certa, como dizer, tendência em provocar aqui a petiza, dito assim, soa a narcisismo e a supra auto-estima da minha parte mas contra factos não há argumentos.

Isto é: todas as criancinhas que por ai pululam e que se vestem de forma pouco tradicional sabem o quão -anhos apetitosos- parecemos a estes intelectuais rebeldes de idade adulta :

"Olha-me esta, ah és contra o sistema, ai achas-te muito insubmissa, deixa-te começar a trabalhar. Deixa passar uns aninhos que eu quero ver…"

Ele leccionava uma espécie de História misturada com sociologia, quer dizer, ambas se complementam…

E nem sequer falei mas ah e tal splash:

"O Marilyn Manson, ah esse gajo armado em mauzão, esses gajos muita maus na tropa são os primeiros a choramingar… sabia dona (cof, cof) que essa figura se veste com roupas de marca, tipo dolce gabbana, aparece em revistas da moda, é tudo dinheiro."

Foi mais ou menos isto que ele palrou, não sei bem o que respondi... provavelmente que não me importava e que o que me interessava era a música, como ainda é mas hoje que já se me acrescentaram uns anos teria vontade de usar os meus mais altos sapatos, prender o cabelo num alto rabo-de-cavalo e pela noite encontrar-lhe o aposento e fodê-lo sem deixar número de telefone.

Ah e para que conste, senhor doutor, ele nunca disse não querer ser popular ou comercial, quer dizer até aquele cd de música da Etiópia, que poderia ter passado no festival de Sines, estará numa qualquer estante de uma grande superfície, é isso que é ser comercial, é ter um preço.

Mas eu percebo senhor doutor, o seu rumo, ele é mainstream na na na na, sim bebé, sente-se feliz agora, acha que é mais do que eu agora?

Olhe que esses anos todos que disse, já passaram. Aliás, metade deles já tinham passado quando falou.

Claro que sim, claro que é comercial mas esse sempre foi o objectivo, chegar ao maior número de pessoas possível, se ele quisesse ser underground teria seguido um estilo pouco popular como o jazz ou o industrial experimental dos Einstürzende Neubauten, não o metal.

E aí provavelmente o senhor doutor já ouviria e até mostraria e partilharia com os seus colegas doutores.

Agora este gajo de espartilho e plataformas, que mudou a música, as mentalidades, que usou e abusou da comunicação social e a virou contra si própria, o homem que apresenta, na trilogia irrepreensível, a dicotomia americana, o fascismo do cristianismo, a podridão dos valores morais e o niilismo do século vinte e um, fogo não usa óculos e camisa axadrezada ah e gosta de se divertir, do prazer, não, claro que não pode ser legítimo.

Quanto à dolce gabbana, bem sabia que ele vestia Marc Jaccobs, talvez Viviene Westwood, Galliano… a dolce gabbana não é só a marca das calças de ganga deslavadas hediondas das dondocas é também a delícia do desfile do ano transacto de Outono/Inverno, eles apenas fazem em massa o que sabem que irá vender.

A procura manda, o dinheiro é o que todos buscamos, não?

Lição primordial de planeamento e controlo da produção.

O Alexander Mcqueen veio dos subúrbios, era um pós-punk antes de se tornar na marca de alta-costura que é hoje, aliás ele fez daquilo que era, um mundo acessível… é nas subculturas que os criadores vão buscar ideias e é ao amacia-las, tornando-as domesticadas que o público geral lhes acha piada e as quer porque mostra status, porque foi aprovado, porque toda a gente bonita -the beautiful people- usa, porque está in já se pode usar, sem correr o risco de se ser apontado, exactamente o oposto do que é ser livre e pensante.

Aliás não é o que todo o misantropo sonha?

Viver daquilo que gosta?

Ter uma vida desafogada e poder durar num castelo de pontas aguçadas e não ter de contactar com meros mortais?

E a cena das revistas da moda, é uma boa treta, só se for numa de escárnio, pois que eu saiba só apareceu num editorial da Vogue aquando do casamento mas, quer dizer, com uma mulher deslumbrante daquelas, uma mulher dona de si, livre e imersa numa criação da Vivienne, num castelo na Irlanda, com o Jodorowsky presente e o Gottfried a celebrar e pavões nas imediações… crime seria não podermos ver.

É a velha estória, de que já aqui falei:

o nariz vermelho do palhaço.

Tomemos atenção: porque usava camisola de manga curta lisa e calças de ganga só podia ser muito mais genuíno, inteligente, ilustrado e trve do que uma fulana de cabelo heterodoxamente comprido e eyeliner…

Já o disse e volto a dizer, não é o desejo de atenção, é o idealismo de que um dia viveremos num mundo onde cada um se vestirá como quiser, sem ninguém ligar um chavo.

E como disse a senhora de negro, vamos lá ser sérios, não podemos agradar a Gregos e Troianos, há que assumir aquilo que somos sempre.

Portanto ah e tal que curto muito disto mas não preciso de me vestir assim é treta.

A única absolvição é o trabalho e se não usares o encarneiramento do uniforme, a coisa boa do espalhanço que isto levou, e que espero que esteja a passar, é que está tudo mais perto e a escolha abunda, pode-se perfeitamente amenizar a coisa no horário nobre para depois a aflorar fora do período de esclavagismo.

Se se for coveiro ou empregado numa funerária nada disto se aplicará.


The horrible people, the horrible people
It's as anatomic as the size of your steeple
Capitalism has made it this way,
Old-fashioned fascism will take it away


 

publicado por Ligeia Noire às 01:21
música: "II" dos Líam

16
Fev 13


Seven brides serve me seven sins

Seven seas writhe for me

From Orient gates to Rlyeh
Abydos to Thessaly
And Sirens sing from stern
But now I cease to play
For I yearn to return
To woodland ferns
Where Herne and his wild huntress lay

Now the tidal are turning
Spurning the darkness
The great purgations of distinguished tours
Are but stills in time
To the thrill that I’m
Once more
Heading to the bedding
Of her English shores

The wind bickered in Satanic mill sails
Eyes flickered in deep thickets of trees
And mists clung tight in panic to vales
When Brigantia spoke her soul to me

From Imbolg to Bealtaine
Lughnasadh to Samhain feasts
I heard her lament as seasons blent
Together a chimerical beast

Now the tidal are turning
Churning in darkness
The celebrations of extinguished wars
Are but stills in time
To the chill that climbs
Once more
Dreading the red weddings
On her English shores

Gone are the rustic summers of my youth
Cruel winter cut their sacred throats
With polished scythes that reap worldwide
Pitch black skies and forest smoke

And the hosts that I saw there
Drones of carrion law
Drove the ghosts of my forbears
To rove and rally once more

One of her sons from the vast far-flung
Come home to rebuild
The rampant line of the Leonine
Risen over pestilent fields

Now the tidal are turning
Burning in darkness
The salivation of her hungry sword
Shalt spill like wine
From the hills to chines
That pour
Spreading her beheadings
On these English shores

For the hosts that I saw there
Drones of carrion law
Drove the ghosts of my forbears
To rove and rally once more

This is a waking for England
From its reticent doze
This is a waking for England
Lest hope and glory are regarded as foes


English Fire by Cradle of Filth/Letra dos Cradle of Filth


Dedicado ao Cavaleiro-das-terras-brancas



Post Scriptum: Cradle of Filth, há uns anos se me perguntasses se gostava deles, provavelmente dir-te-ia que não, num piscar de olhos mas um dia ainda me irei debruçar com os cabelos a acariciarem todo o chão.

Há muitos anos, mesmo muitos, quando a falling nasceu conheci um maluquinho, como diria a mourisca, que era bastante apreciador destes ingleses, foi aí que primeiro ouvi falar de tal blasfémia e não gostei nada.

A voz do Aristocrata Daniel e a mistura exótica de metal negro e gótico estranhava-se pelas minhas papilas gustativas e elas diziam que era intragável.

Hoje, foram eles que me despertaram para mais uma página, pergunto-me o que será feito do neo-gótico maluquinho que cantava cradle…

Apesar de continuar a não ser a minha praia, (sorrio) continuam a pulular de vez em quando por aqui, aliás cheguei a comprar o cd verdinho para os experimentar e acabou por rodar uma ou duas vezes, ontem peguei nele outra vez.

Os senhores que nasceram do berço da imundície, trouxeram uma nova vida a todo um universo sub-cultural que murchava a olhos vistos.

Apesar do termo -metal gótico- se ter tornado tão malfadado, caso estes senhores ou o reverendo, ou os industriais do metal e da pirotecnia germânicos, por exemplo, não se lembrassem de arranjar uma caneta e escrever ou uma palheta e dedilhar a guitarra, ter-se-ia perdido tudo lá nas batcaves do Reino Unido.

Lições preciosas da Senhora de Negro.

Apesar de não ser admiradora da banda, pelo menos por enquanto, dou por mim a ver e ler entrevistas que o Dani-Dani vai fazendo, e é impossível não me sentir fascinada pelo mesmo mundo.

Desde os filmes dos estúdios Hammer, aos vampiros, à literatura gótica, ao Crowley, à demonologia, ao misticismo, paganismo, mas acima de tudo à sábia e muito, muito mas mesmo muito veia gorda e pululante de sarcasmo corrosivo que os diferencia, como diferenciou os americanos Type O Negative.

Tudo se reúne numa festa negra de caracterizações fantásticas, de performances carismáticas, de orquestrações Bachianas, de indumentárias deliciosas, é tudo pensado, arquitectado, delineado ao pormenor e eu gosto ao quadrado disso.

A beleza que se costura, como diria a Dita.

Claro que a marca maior, a característica que os arranca do mar de almas danadas, são os guinchos lancinantes do vocalista que, agora, compreensivelmente, se encontram mais ou menos enferrujados.

A capacidade sardónica de pegar em todos os chavões da subcultura, em todo o ideário da mesma e criar uma nova corrente pejada de bloody kisses, ah Type o negative... She's in love with herself - she likes the dark: fez-se chocapic de chocolate negro.

Aqui o país de brandos costumes chegou mesmo a ser um dos primeiros, senão o primeiro, a recebê-los, o que é extremamente singular, sendo um reduto tão católico temos figuras como os Cradle of Filth, os Marilyn Manson ou o senhor Quorthon a fazerem-nos visitas sumarentas no início dos inícios.

Qualquer adorador do diabo, apenas contactando com títulos tão exortados e sardónicos como: Painting Flowers White Never Suited My Palette, saliva.

Comigo começou com os Type O Negative, só de lhes contemplar os títulos das canções, já a fome me engalanava toda.

Nos Cradle, as letras coroam o monstro e tudo se mistura. As letras…. Já dei por mim a ler o livrinho das letras do disco que tenho e dos que não tenho e é uma riqueza de referências bafientas, autênticos véus de orações profanas e carnívoras, a maior parte dividida em capítulos como se de cantos se tratassem.

 O imaginário de romantismo doente, lascivo e oculto com que eles brincam como crianças esfomeadas é uma preciosidade e puxa-me.

E ainda falta que o The Gospel of Filth: A Bible of Decadence & Darkness, se me venha parar às mãos, curiosa estou, impulsiva sou.

Este meu caderno medicamentoso anda muito musical e remorado, gosto.

Para terminar e ir papar, tenho a dizer que gosto muito desta melodia, muito, tens bom gosto, aliás só podes ter.

Riso escarninho.

 

publicado por Ligeia Noire às 13:06
sinto-me: Vampires, vampires everywhere
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01
Out 12


Espera e escuta:

Não sei se estou a forçar-me a pensar assim mas há momentos antes de adormecer em que se escondem, por detrás das pálpebras, vislumbres de querer ser a tua mulher: Cavaleiro-das-Terras-Brancas.

Vestir a renda que teceste desde o dia em que me viste de vestido sem cor e cabelo todo descido, ó aranha laboriosa, ser assim e acreditar nesse "ser assim", piedosamente.

Também eu quero entrar nesse estupor e apagar tudo o que se fez de mim antes.

Existem estes momentos daninhos em que penso que, talvez, pudesse ser feliz se subisse ao teu cavalo, é como se eu fosse duas, a que quer durar no abismo rodeada de pecado, avassalando o corpo para desumanizar a alma e a que quer escolher o caminho sem lobos.


Lamb of God have mercy on us

Lamb of God won't you grant us?

 

Existem estas vontades dentro de mim e há trilhos que corroboram as duas.

Esta portinhola donde me espreito com ele e me ouço a dizer que não haverá melhor pescador, ao que objectas:

e o que faz deste melhor do que os outros?

E com franqueza te clarifico meu amigo, ele não é sequer pescador é cavaleiro e o cavalo é branco.

Agora, que me permiti a ver a impossibilidade de animar o meu Frankenstein e que o Aristocrata não existe, pelo menos aquele que eu fazia dele, vingo-me na aceitação da normalidade bacoca dos dias que começam às nove.

E objectas outra vez, ao quase ter fechado a boa vontade a estes vislumbres de luz em horas de sono:

Queres fazer isso para acabares com as tuas vigílias, fechar a porta e oferecer sorrisos cheios ao que te ama e aos que te esperam inteira.

Espera Supremo, deixa-me descer daqui, puxar a aldrava e molhar os dentes.

Sabes… não há propósito neste soalho, nesta manta nos pés descalços ou no amortiçar dos olhos na Geena, não sei se é desistência ou impossibilidade, sei que é tristeza sem cauda.

…porque a minha outra vontade, meu senhor, a urgente, a extasiada, a licenciosa, a mais funesta das vontades feitas fome quer atingir o mais puro negro, engolir negritude sem plenitude possível, transfigurar-se em pura fonte de carvão, que jorrará na boca do mais casto dos lírios brancos, até que essa maldita flor nevada se torne negra, faça a chuva que fizer.

É negra que a quero, negra, tão negra que tudo o que se acercar do bocado de terra onde ela esbracejar as raízes se torne negro também, como se ela fosse um sol pousado.

Ser imprópria para consumo, desgraçada, obscena, vadio vaso quebrado sem retorno ou extrema-unção.

Escandalizar e escancarar olhos e bocas além-caminho, mostrar-vos o avesso do que vos abscondo, ó mundo expirado sem saber de suicídio.

publicado por Ligeia Noire às 14:50

02
Set 12


The man I was seeking among other men, died in his bed like a royal prince.


Há coisas insuportavelmente feias nesta caixa de sapatos.

Tão asquerosamente feias que almejamos, apenas, pelo minuto desinteressado em que vivíamos antes.

Choro o medo que me inunda e me mostra que ainda continuo neste mundo torto ao qual fui atirada.

Há coisas impiedosamente desfiguradas desde sempre e para sempre.

Vivem e respiram enquanto comes de faca e garfo, vivem e respiram no mesmo espaço-tempo do lírio branco, da trança loira e cheia, do espreguiçar dos olhos do gato ao sol e do céu estrelado no veludo azul.

Eu sei que não há homem ou mulher com engenho suficiente para me volver ao estado primeiro porque, eu sei, eu sei que a felicidade é um êngodo.

O mundo negro que jamais deveria ter deixado o seu estado de esterilidade.

O medo aterrorizado que me nauseia é tao putrefacto que já não conheço mais o raiar da vida.

Tudo em mim são formigas de importância e ratos de possibilidade.

O mundo dentro de mundos, a ordem de coisas:

porca, desumana, podre, abominável, ah sai!

Hoje a alma coloriu-se de um rubor de verdura negra, hoje sou dois retratos finais de Dorian Gray.

Que a música, as flores e o amor vermelho me guardem a sanidade e mantenham fechada e inteira a carpideira que me tenta subir, aos bocados, pelas orbitas côncavas.

Houve um filme, uma vez, que depois de visto foi escondido, tão bem escondido que o seu esconderijo foi esquecido, já sabes o que poderia ter escrito nesta linha que vês agora…

Mário de Sá-Carneiro dizia algo como: uma dor tão insuportável que não há mais necessidade de morrer por já estarmos mortos.

Imagina uma dor tão... dura que faz regressar o individuo ao seu estado primeiro.

Jamais suportaria a dor e a tristeza de trazer um filho a este mundo.

Sou demasiado pequena, quebrável e pobre para o conseguir manter bom.

Não existe vidro suficiente para lhe construir uma campânula e ainda assim seria impossível turvá-lo sem lhe roubar os esgares de beleza da Gaia.

São coisas estilhaçadas, estas que não escrevo por temor de profecia realizável.

São dores que tremem, estas de me saber rato de bigodes encarquilhados perante os tesouros vivos sem asas que os alberguem.

Já é dor farta, acordar e isto e isto e é tudo isto…

Chega, pára de me insuflar os lóbulos, não quero.

Não.

Isto não é negro, é verde apodrecido e doseado.

Ah Divino... e quando as vejo, os vejo, concernidos com isto e aquilo e as coisas de armar em bolbos, só me apetece subir-lhes pelas pernas e braços e espancá-los até ser só eu.

Se fosse só eu, iria embora.

publicado por Ligeia Noire às 16:01
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17
Jan 12


Não é que me doa a cabeça mas ando a atulhá-la sem responsabilidade e não lhe dou tempo para que arrume tudo em gavetas.

Sinto-me um pouco fraca e muito… muito cansada, cá dentro.

Hoje o medo abateu-se sobre mim, como uma ave de rapina, pensei que se devesse às coisas que luzem ao sol mas continuei com ele agarrado à tiróide, como catarro.

O quarto está frio e os pulsos estão porosos, deitei-me um bocado para esvaziar as entranhas e devo ter dormido uma hora pequena, sonhei com coisas escuras e pessoas efémeras.

Acordei com os salmos dos Les Joyaux de la Princesse mancomunados com os Death in June, que à semelhança dum remoinho, volteavam e volteavam, abrindo uma porta na noite escura.

E preciso de escrever.

Há uns tempos, a senhora de negro disse que ao longo da sua vida encontrou alguns raros com quem nunca trocou uma palavra mas com quem sentia um entendimento mútuo, apenas pelos curtos cruzamentos de olhares.

Olhares de entendimento.

Quando li isto, há alguns anos, não compreendi como alguém podia passar anos a ver uma pessoa, com a qual sente empatia, e não falar com ela, porquê?

Hoje compreendi e, curiosamente, sinto uma satisfação mansinha.

Isto foi-se sucedendo sem que me desse conta e quando me apercebi, sorri.

É espirituoso, não é verdade?

Refunda à não existência de acasos.

Há uma senhora, na minha escola, um pouco mais velha do que eu e uma rapariga, onde vivo, um pouco mais nova.

Ambas exercem o seu fascínio sobre mim.

Vejo-as, ocasionalmente, desde que entrei neste circuito.

São ambas muito bonitas, discretas e reservadas.

A mais velha tem os cabelos compridos ondulados e a mais nova tem os cabelos curtos e vastos.

Lindos, lindos cabelos de carvão.

A dama emana uma calma, equilíbrio e temperanças que me atravessam de um lado ao outro.

No entanto, tal como as sirenas dos gregos e as águas dos lagos, que placidamente aguardam pela lua, haverá, pela certa, mistérios que são só dela.

A donzela é o exemplo de moça que cresceu antes do tempo, ri sem esboçar sorriso, gentil, delicada, espirituosa e que bela e graciosa atravessa a rua.

Mulheres tão detalhadas, delicadas como diamante.

Cruzei-me com as duas hoje.

Dei conta das vestes longas da senhora a abandonarem um corredor e deparei-me com a figura de alabastro da donzela a espelhar conversas no átrio.

Cruzámo-nos nos olhos várias vezes, o entendimento atravessa-me e falámos sem falar.

Já me disseram muitas coisas e eu gosto muito disto, gosto muito de observar e gosto, mais ainda, de ter momentos de entendimento e compreensão sem dizer uma única palavra, como se tivesse subido uma caleira e pudesse espreitar por cima das nuvens ou, descido duas, e fosse visitar a barriga da Terra.

E, ao contrário do que achei no passado ao ler o texto da senhora de negro, jamais lhes quero falar, não preciso e alagaria tudo.

Que rudimentares me parecem estas palavras para descrever tais singularidades.

É tão engraçado quando nos apercebemos de que temos almas que nos brotam dos olhos.

Almas que já viveram e vivem outros mundos.

publicado por Ligeia Noire às 21:10

27
Jun 11


I'm only happy when it rains

 

I'm only happy when it's complicated
And though I know you can't appreciate it
I'm only happy when it rains
You know I love it when the news is bad
And why it feels so good to feel so sad
I'm only happy when it rains

Pour your misery down, pour your misery down on me


I'm only happy when it rains
I feel good when things are going wrong
I only listen to the sad sad songs
I'm only happy when it rains

I only smile in the dark
My only comfort is the night gone black
I didn't accidentally tell you that
I'm only happy when it rains
You'll get the message by the time I'm through
When I complain about me and you
I'm only happy when it rains

Pour your misery down

 

You can keep me company, as long as you don't care

 

I'm only happy when it rains
You wanna hear about my new obsession
I'm riding high upon a deep depression
I'm only happy when it rains

(Pour some misery down on me)
I'm only happy when it rains

  

Lyrics by Garbage/Letra da autoria dos Garbage


publicado por Ligeia Noire às 01:23
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26
Nov 10


And this is how the world died

(I can hear you judging me)

(I'll hear your confession)

I found the best piece of me

(Kneel down)

Alone

Shivering in the dark

Three centimetres tall

Eating it's heart

(you will not feast on me today)

(This is how the world died)

Who will slay this thing?

(I forgive you)

Who will play the butcher and

End my suffering?

(I forgive you)

(I fucked the minds of the masses with the fingers of liberty)

This is not a threat

(This is not

a threat)

I'm not perfect

I'm not a beauty queen I'm just me

I'm just me

(It's a life of lies)

We are all

Prisoners here

(All shapes and sizes)

(I've screamed for all the women I've never been but hoped I would be)

(I'm proud of who I am)

Forever

Chasing the sun

I'm proud of me

(She bites her trembling mind)

It began as all tragedies do

(Forgive me)

(She is the one)

(forgive me)

With pain and deception

(If you will be the paper I'll be the pen)

This is it

I've tasted hell

And it tastes just like you

My final plea.

No one is coming to save me

No one is going to change things

The answers will not drop from the sky

I will not one day wake with a different disguise

No.

The only solution

Is revolution...

Art is war

Fight!

The odds were always against me

(Lose weight)

(Clearly think)

(I exist I am broken)

I am broken

I am not a mistake

(My ancestry is a ghost story)

I'm a prophecy

My love life is a crime scene

I'm an omen

My self-esteem is a string of unsolved murders

The radio is brainwashing me filling my head with these

Self conspiracies

I am an emotional nightmare

I can't hide the pain inside

Builder of my own mythology

Just tell me

You're listening

 

Lyrics by Otep/Letra da autoria de Otep


publicado por Ligeia Noire às 05:11
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